Acusaçao é ‘‘revanchismo’’, reclama Pitta
Agência Estado
RIO - O prefeito de Sao Paulo, Celso Pitta, disse ontem no Rio que o Banco Central (BC) pode estar sendo utilizado como instrumento político contra ele. ‘‘É um revanchismo, uma questao eleitoral, porque querem agora um terceiro turno em Sao Paulo’’. Pitta contestou relatório do BC entregue à CPI dos títulos públicos segundo o qual, só em 20 de novembro de 1995, a prefeitura teria tido prejuízo de R$ 640 mil em benefício de instituiçoes financeiras. Entre as beneficiadas está a corretora Perfil, que teria lucrado neste dia R$ 473 mil. A Perfil, liquidada pelo BC, é a instituiçao para a qual trabalhava o ex-coordenador da Dívida Pública de Sao Paulo, Wagner Batista Ramos, assessor de Pitta demitido esta semana.
Além da Perfil, segundo o relatório, ganharam com as negociaçoes as distribuidoras Negocial (R$ 313 mil), Leptos (R$ 60 mil) e JHL (R$ 384 mil). O relatório do BC informa que Pitta, entao secretário municipal de Fazenda, teria determinado, pessoalmente, a venda direta (sem leilao) de títulos com desconto elevado para as distribuidoras. ‘‘Conheço esse dossiê do Banco Central parcialmente, porque nunca me foi dado conhecimento integral deste documento’’, disse Pitta. ‘‘Pelo que sei do relatório, ele está errado, com erros de cálculo e avaliaçoes incorretas’’.
De acordo com Pitta, o Tribunal de Contas do município de Sao Paulo fez auditoria nas operaçoes com títulos da prefeitura em 1994 e 1995 e constatou que elas eram legais. ‘‘Nós tivemos lucros neste período de R$ 150 milhoes de reais com as negociaçoes’’, afirmou.
Pitta disse que nao teme a quebra do seu sigilo bancário, fiscal e telefônico, que será votado na próxima semana pela CPI. ‘‘Estou à disposiçao dos senadores para prestar quaisquer esclarecimentos’’, afirmou. ‘‘Os dados do BC estao completamente errados, e eu tenho como provar isso’’. Pitta participou ontem de um encontro de prefeitos das nove principais capitais no hotel Rio Othon, em Copacabana, ao qual também compareceu o ministro da Fazenda, Pedro Malan.
O prefeito de Sao Paulo afirmou ter enviado à época das negociaçoes um ofício para o entao presidente do BC, o próprio Malan, explicando que os pedidos de emissao de títulos para o pagamento dos precatórios baseavam-se em estimativas, porque o valor real das dívidas judiciais do município dependeria de sentenças transitadas em julgado na Justiça. ‘‘O BC sabia que o valor emitido seria estimado’’.

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