Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) ficou irritado com a reportagem da Folha de S.Paulo de domingo, que contabilizou a presença de 26 parentes de membros do 1º escalão do governo nos quadros da administração pública. Ontem, durante a reunião semanal do secretariado, Requião atribuiu a reportagem a adversários políticos e prometeu devolver os ataques, publicando gastos indevidos da gestão de seu antecessor Jaime Lerner (PSB).
A reportagem acusa Requião de ter nove parentes contratados em cargos de confiança na administração pública. Dois irmãos do governador têm cargos no primeiro escalão do governo: o secretário de Estado da Educação, Maurício Requião e o superintendente dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Requião. Lúcia Arruda, irmã do governador, é a presidente do Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar), enquanto a primeira-dama Maristela Requião coordena as atividades do Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. Segundo a matéria, uma cunhada, dois sobrinhos e dois primos do governador também ocupam cargos no Executivo estadual.
Durante a reunião, Requião mostrou irritação com a publicação da matéria. O governador ressaltou que admitiu seus parentes no governo por critérios de competência e confiança. ''Pior que contratar parentes é contratar maus administradores. Isso é um udenismo requentado'', afirmou, referindo-se ao extinto partido UDN, que na época anterior ao Regime Militar caracterizou-se por realizar cruzadas moralistas.
O governador não dedicou muito tempo para comentar a reportagem do jornal paulista. Requião preferiu abrir fogo contra Lerner, indiretamente responsabilizando o ex-governador por ter incentivado a denúncia. ''Só em gastos com aluguel de aviões para o uso do governador, foram R$ 4,5 milhões. Quando a cozinha do Palácio Iguaçu foi fechada, gastou-se R$ 600 mil por ano. Isso é má administração'', criticou. Requião afirmou que os gastos com locações de aeronaves chegou a R$ 9,7 milhões. A Folha tentou contato no escritório do ex-governador, mas não foi possível contato.
Outros cinco membros do primeiro escalão foram citados na reportagem por terem empregado parentes no governo. O chefe da Casa Civil Caíto Quintana, que teria contratado três irmãos e dois cunhados, não quis comentar o assunto. O vice-governador, Orlando Pessuti, que indicou sua mulher para a chefia de seu gabinete, também não quis se pronunciar. O secretário de Estado da Comunicação, Airton Pisseti, não retornou as ligações da Folha para comentar as contratações de sua filha e duas sobrinhas.
O presidente da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) Luiz Cláudio Romanelli, que tem uma sobrinha em cargo de confiança, disse que o questionamento a respeito das contratações demonstra uma ''visão pequeno-burguesa'' do assunto. Já o secretário de Transportes, Waldyr Pugliesi, que nomeou seu sobrinho como chefe de gabinete, alegou que os dois têm um relacionamento político antigo e elogiou a capacidade administrativa do sobrinho.

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