Curitiba – O juiz federal Sérgio Moro, que está à frente dos processos da operação Lava Jato, classificou como "fantasiosa" a tese apresentada por alguns dos advogados de executivos presos na sétima fase da investigação, de que o magistrado estaria "ocultando o nome de agentes políticos envolvidos nos crimes para preservar a competência em primeiro grau", ou seja, fazer com que as ações penais permaneçam na Justiça Federal do Paraná.
Segundo despacho do magistrado, "o objeto deste processo não envolve o crime de corrupção de agentes políticos, mas sim crimes licitatórios, de lavagem e, quanto à corrupção, apenas dos agentes da Petrobras". "Se o dinheiro supostamente desviado da Petrobras foi, depois de lavado, usado para pagar vantagem indevida a agentes políticos, trata-se de outro crime que não é objeto deste feito", ressaltou Moro.
O juiz reforçou que quanto a eventuais crimes de corrupção de agentes políticos, estes são de competência do Supremo Tribunal Federal (STF), e que já dispõe das provas pertinentes da colaboração premiada.
Os defensores ainda afirmaram que Moro teria mandado prender os executivos das maiores empreiteiras do País para obter confissões forçadas. O juiz refuta as alegações, destacando que "ao contrário do alegado por parte das defesas, inclusive estranhamente na imprensa e não nos autos, este julgador não está usurpando a competência do Supremo Tribunal Federal, antes muito pelo contrário, respeitando estritamente suas decisões", disse.
"As prisões cautelares foram decretadas porque presentes seus pressupostos e fundamentos. Se, após a prisão, o investigado decidir colaborar ou não com a investigação, trata-se de escolha voluntária dele e que não guarda relação necessária com a manutenção ou revogação da preventiva,", finalizou o juiz. (R.C.J.)

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