Brasília - A Comissão de Segurança Pública recebe amanhã o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e o diretor-geral do Departamento de Polícia Federal, Paulo Fernando da Costa Lacerda, para falar sobre as denúncias de envolvimento ilegal de policiais federais brasileiros com o Federal Bureau of Investigation (FBI). As denúncias forma feitas pelo ex-chefe do FBI no Brasil, Carlos Costa, na revista ''Carta Capital''. Conforme a reportagem, Costa afirmou que ''os Estados Unidos compraram a Polícia Federal''. Segundo Carlos Costa, há anos os Estados Unidos doam milhões de dólares para a polícia brasileira. Por causa do dinheiro, a PF seria subserviente a instituições governamentais norte-americanas.
Também estarão em debate as metas do Ministério da Justiça para segurança pública em 2004 e o andamento do Plano Nacional de Segurança Pública. A audiência será às 14h30, no plenário 6.
O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Francisco Carlos Garisto, confirmou ontem na Comissão de Segurança Pública que há muito tempo tomou conhecimento de que a Polícia Federal brasileira recebe dinheiro do departamento de combate a entorpecentes norte-americano (DEA) e da agência de inteligência (CIA). ''Isso compromete a autonomia da Polícia Federal e os policiais se revoltam com essa situação há muito anos.''
Ele declarou ainda que essas informações já foram reveladas em 1999 por parlamentares e pela imprensa, mas sem maiores repercussões. ''Essa notícia aparece, causa comoção, mas depois de dez dias ninguém fala sobre isso'', disse. Para o representante dos policiais, o assunto é abafado propositalmente. ''É o poder dos Estados Unidos ou é o poder de alguém que está fazendo coisa errada e que não quer ser descoberto'', afirmou.
Garisto declarou ainda que o convênio foi implementado quando Romeu Tuma (PFL), hoje senador, estava à frente da Polícia Federal. O presidente da Fenapef também confirmou que os recursos doados pelo governo americano à Polícia Federal são monitorados pelos agentes dos Estados Unidos de acordo com os interesses daquele país. ''As verbas são liberadas de acordo com a necessidade dos organismos americanos.'' Ele estima que os recursos vindos do DEA estejam em torno de US$ 5 milhões anuais; já as verbas doadas pela CIA dependem do trabalho que venha a ser realizado no país.
Garisto lembrou que, na época da ação da Polícia Federal no Polígono da Maconha, em Pernambuco, os Estados Unidos não autorizaram a liberação dos recursos. Os americanos alegavam que a maconha produzida no Estado não seria enviada aos Estados Unidos. ''O dinheiro só é utilizado para combater o tráfico de drogas que vão ser comercializadas nos Estados Unidos'', explicou.
Na reunião, ele defendeu que as doações dos organismos americanos à Polícia Federal para combater o narcotráfico sejam legalizadas por meio de acordo internacional entre os países, e não por convênio entre as polícias dos Estados Unidos e do Brasil.

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