Acordo sem reajuste põe fim a greve de 30 dias
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terça-feira, 05 de abril de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Fim da paralisação, mantido estado de greve; fim do impasse, abertura de um caminho de negociação mas nenhum índice de reposição salarial. Depois de 30 dias de atividades suspensas, e quase duas horas de assembléia, acabou ontem a greve dos servidores públicos municipais de Londrina. A decisão foi por aclamação. Segundo cálculo do sindicato que representa a categoria, o Sindserv, pelo menos 2,5 mil funcionários participaram da assembléia realizada em frente a prefeitura.
Com a decisão, serviços interrompidos ou em funcionamento parcial, até ontem, seriam normalizados a partir da 0 hora de hoje. A proposta de acordo discutida pelos grevistas e assinada em seguida pelo prefeito Nedson Micheleti (PT) é praticamente a mesma intermediada pela Câmara de Vereadores no último dia 24. Dessa vez, porém, os sindicalistas optaram pela retirada do item que, na pauta original, tratava do reajuste no auxílio-alimentação a partir de março deste ano pelo índice de inflação acumulado no período de 1º de fevereiro de 2002 a 31 de janeiro de 2005. ''Foi para a população não sentir que voltaríamos por esse detalhe, e também em solidariedade aos servidores aposentados, que ficariam de fora desse reajuste'', justificou o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja.
Dos tópicos aprovados na assembléia de ontem, foi reiterada a formação de uma comissão permanente, por decreto, a qual acompanhará a arrecadação do Município. Caso haja incremento de receita verificado na prestação de contas feita a cada quatro meses, a comissão irá negociar os índices máximos de reposição para a quitação das perdas salariais medidas pela inflação no período de 1º de fevereiro de 2002 a 31 de janeiro de 2005. A Prefeitura, por sua vez, concorda em repassar aos salários dos servidores os índices apontados pela Comissão.
Segundo dois dos vereadores que intermediaram ontem as conversas entre servidores e Executivo, Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) e Gláudio Renato de Lima (PT), a negociação dos dias parados foi o ponto de maior discussão no leva-e-traz do acordo entre a Sercomtel, onde estava Nedson, até a Praça dos Três Poderes, onde ficou a diretoria do Sindserv. Pelo acordado, os dias não trabalhados ''serão negociados imediatamente, sem prejuízo nas avaliações dos servidores e servidoras em estágio probatório ou não, bem como assegurados os demais benefícios e vantagens que não estejam vinculados com a referida negociação''.
Segundo Tamarozzi, a negociação que deve se travar a partir de hoje prevê parte das horas descontadas, parte delas repostas no caso, aos funcionários da Educação. ''Cada caso será discutido, há uma disposição para isso'', disse o petebista.
Líder do prefeito na Câmara, Gláudio Lima afirmou haver uma restrição do Executivo a respeito do desconto aos servidores da Educação. ''Porque tem escola que parou apenas três dias, e outras já querem começar a reposição imediatamente'', comentou. Segundo o parlamentar, a posição de Nedson ontem era bem diversa das adotadas recentemente pelo próprio prefeito e pelo secretário municipal de Fazenda, Wilson Sella, na defesa pelo não pagamento dos dias em greve. ''O Nedson está aberto a qualquer discussão, seja pela reposição de horas perdidas ou pela compensação em banco de horas. A assembléia aceitando, amanhã (hoje) mesmo as partes se sentam para conversar'', disse o vereador.
Segundo Urbaneja, o sindicato deverá encaminhar hoje um ofício ao prefeito solicitando que sejam agendadas as reuniões com a Comissão Permanente de Negociação para discussão dos dias parados. O presidente do Sindserv ainda espera que os salários de março, feitos parcialmente como um adiantamento no dia 31, seja pago integralmente. ''Espero que a prefeitura normalize isso até sexta-feira'', afirmou.


