Depois de muita pressão da comunidade, os vereadores de Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão) concordaram em reduzir seus próprios salários, além dos vencimentos do prefeito e do vice-prefeito. O projeto que determina as reduções foi apresentado durante a semana e pode ser votado já na sessão de amanhã à noite. Com ele, o salário de cada vereador cai dos atuais R$ 2,7 mil para R$ 1,7 mil. A redução é de 37%.
‘‘Chegamos a um consenso e o projeto deve ser aprovado sem problemas’’, prevê o presidente da Câmara, Evaldo Kovalski (PFL). Com a proposta, o salário do presidente da Câmara também cai - dos atuais R$ 4,3 mil para R$ 2,8 mil. Já o vencimento do prefeito Vicente Okamoto (PSDB) vai cair de R$ 8 mil para R$ 5 mil, e o do vice-prefeito, padre Pedro Speri (sem partido), de R$ 1,6 mil para R$ 1 mil.
‘‘A pressão da comunidade estava muito grande’’, reconhece Kovalski. Os vereadores de Goioerê têm os maiores salários da região de Campo Mourão (Noroeste do Estado). Mesmo com a redução, eles vão continuar ganhando mais que os colegas de Campo Mourão, que recebem R$ 1,59 mil. ‘‘Queríamos uma redução de 50%, mas não conseguimos um consenso’’, ressalta Kovalski. Mesmo assim, ele considera que houve ‘‘uma vitória da comunidade’’.
Apesar da redução salarial, o projeto que tramita na Câmara de Goioerê prevê que os vereadores tenham o direito de receber R$ 100,00 para cada sessão extraordinária que participarem. É o chamado jeton. A votação do projeto, no entanto, não deve pôr fim à polêmica em torno da Câmara. Os atuais vereadoes têm nove meses de salários atrasados. E mesmo a legislatura passada ainda tem salários para receber relativos a 1996. ‘‘O pagamento dos atrasados deve começar em maio’’, diz Kovalski.
Como esses pagamentos já estão penhados, os vereadores vão receber pelo salário atual, o que significa que cada um tem direito a mais de R$ 24 mil. A polêmica também continua no fórum, onde há denúncias de que alguns vereadores da cidade receberam propinas para votar favoravelmente a projetos da prefeitura e contra a abertura de comissões parlamentares de inquérito (CPIs).
Uma das denúncias foi feita pelo vice-prefeito, padre Pedro Speri. Ele disse que deixou de ser secretário municipal da Saúde porque não concordava com a política da prefeitura em oferecer vantagens a um grupo de vereadores em troca de apoio. Outra suspeita foi levantada pelo diretório municipal do PT, que chegou a apontar nomes e valores recebidos por três vereadores. Kovalski ameaça processar tanto Speri quanto o PT por calúnia e difamação.

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