Acordo preserva liderança de Andrade
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de maio de 1997
Agência Estado De Brasília 
As duas principais alas do PMDB estão próximas de acordo que vai empurrar para 98 a definição sobre o lançamento de um candidato próprio à sucessão presidencial ou o apoio à reeleição de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). As principais linhas do acordo foram traçadas sábado, numa conversa entre o presidente do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE), e o líder do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). O primeiro faz oposição ao Planalto e o segundo é da ala governista.
Concluímos que o mais importante é trabalhar pela unidade do partido, disse Paes de Andrade, depois de relatar a conversa, por telefone, ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Temer reúne amanhã, na residência oficial do presidente da Câmara, vários caciques do PMDB. Além dele, de Paes e de Geddel, estarão presentes os senadores José Sarney (AP), Íris Rezende (GO) e o líder Jáder Barbalho (PA). Vamos nos entender, porque nosso partido está sendo dilapidado em brigas internas e futricas externas, disse Geddel.
Os principais pontos do acordo que está sendo costurado:
- Reforma administrativa: o grupo de Paes de Andrade não será obrigado, pela liderança na Câmara, a votar contra a estabilidade. Em compensação, não vai bloquear as votações, a pedido de Geddel.
- Escolha de candidato: fica para a convenção nacional do partido, em julho de 1998. Paes continua defendendo uma candidatura própria, que pode ser ou não a do ex-presidente Itamar Franco. Geddel defende apoio a Fernando Henrique ou a uma terceira força que venha a surgir. Antes da convenção, nada se decide.
- Reeleição no Senado: a bancada vai aprovar a emenda para a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, mas pode apresentar emendas para obrigá-lo a renunciar durante a campanha, o que é pouco provável. É mais certo que tentem dificultar a reeleição dos atuais governadores, suprimindo-a ou obrigando-os à renúncia.
- Comando do partido: o acordo só pode ser fechado se a presidência continuar com Paes de Andrade. Não pretendo sair nem isso foi cogitado, disse Paes. Vamos buscar, na reunião de terça-feira, uma solução que o preserve, disse Geddel. A saída imediata de Paes é uma reivindicação do governador Antônio Britto, do Rio Grande do Sul.
- Apoio ao governo: continuará sendo um apoio administrativo, sem compromisso com a sucessão, segundo Paes. De acordo com Geddel, assim como ocorreu nas votações da reforma da Previdência, questões de consciência têm de ser respeitadas.
A aproximação entre as diversas correntes do PMDB foi desencadeada na semana passada, quando os líderes do partido resolveram devolver ao presidente Fernando Henrique Cardoso a prerrogativa de indicar nomes para os ministérios da Justiça e dos Transportes. Foi uma ação coordenada pelo líder Jader Barbalho, com apoio de Temer e Geddel. Também há queixas contra o ministro Sérgio Motta, das Comunicações, que disse que com certos deputados do PMDB, só dá para conversar pelado, na sauna. Nossas reuniões são públicas, disse Geddel após o encontro com Paes de Andrade.


