As duas principais alas do PMDB estão próximas de acordo que vai empurrar para 98 a definição sobre o lançamento de um candidato próprio à sucessão presidencial ou o apoio à reeleição de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). As principais linhas do acordo foram traçadas sábado, numa conversa entre o presidente do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE), e o líder do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). O primeiro faz oposição ao Planalto e o segundo é da ala governista.
‘‘Concluímos que o mais importante é trabalhar pela unidade do partido’’, disse Paes de Andrade, depois de relatar a conversa, por telefone, ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Temer reúne amanhã, na residência oficial do presidente da Câmara, vários caciques do PMDB. Além dele, de Paes e de Geddel, estarão presentes os senadores José Sarney (AP), Íris Rezende (GO) e o líder Jáder Barbalho (PA). ‘‘Vamos nos entender, porque nosso partido está sendo dilapidado em brigas internas e futricas externas’’, disse Geddel.
Os principais pontos do acordo que está sendo costurado:
- Reforma administrativa: o grupo de Paes de Andrade não será obrigado, pela liderança na Câmara, a votar contra a estabilidade. Em compensação, não vai bloquear as votações, a pedido de Geddel.
- Escolha de candidato: fica para a convenção nacional do partido, em julho de 1998. Paes continua defendendo uma candidatura própria, que pode ser ou não a do ex-presidente Itamar Franco. Geddel defende apoio a Fernando Henrique ‘‘ou a uma terceira força que venha a surgir’’. Antes da convenção, nada se decide.
- Reeleição no Senado: a bancada vai aprovar a emenda para a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, mas pode apresentar emendas para obrigá-lo a renunciar durante a campanha, o que é pouco provável. É mais certo que tentem dificultar a reeleição dos atuais governadores, suprimindo-a ou obrigando-os à renúncia.
- Comando do partido: o acordo só pode ser fechado se a presidência continuar com Paes de Andrade. ‘‘Não pretendo sair nem isso foi cogitado’’, disse Paes. ‘‘Vamos buscar, na reunião de terça-feira, uma solução que o preserve’’, disse Geddel. A saída imediata de Paes é uma reivindicação do governador Antônio Britto, do Rio Grande do Sul.
- Apoio ao governo: continuará sendo um ‘‘apoio administrativo, sem compromisso com a sucessão’’, segundo Paes. De acordo com Geddel, assim como ocorreu nas votações da reforma da Previdência, ‘‘questões de consciência têm de ser respeitadas’’.
A aproximação entre as diversas correntes do PMDB foi desencadeada na semana passada, quando os líderes do partido resolveram devolver ao presidente Fernando Henrique Cardoso a prerrogativa de indicar nomes para os ministérios da Justiça e dos Transportes. Foi uma ação coordenada pelo líder Jader Barbalho, com apoio de Temer e Geddel. Também há queixas contra o ministro Sérgio Motta, das Comunicações, que disse que ‘‘com certos deputados do PMDB, só dá para conversar pelado, na sauna’’. ‘‘Nossas reuniões são públicas’’, disse Geddel após o encontro com Paes de Andrade.

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