Acordo político enterra CPI que iria investigar remessa ilegal de dinheiro
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quinta-feira, 29 de maio de 2003
Agência Estado 
Brasília - Um acordo político entre oposição e governo no Senado enterrou ontem a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigaria a remessa ilegal de US$ 30 bilhões para o exterior e o suposto envolvimento de políticos de ''renome'' e empresários no esquema.
A votação das reformas e o risco de apresentação de outros pedidos de CPIs - como a apuração de denúncias de pagamento de propinas em prefeituras do PT, como Santo André, no Grande ABC (SP) - foram os principais motivos que forçaram a celebração desse pacto em reunião dos líderes partidários com o presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP). Dessa forma, o Senado sepulta a primeira iniciativa de investigação interna na tentativa de evitar conflitos políticos.
O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), insinuou que as denúncias de remessa ilegal de dólares pelas contas CC-5 em agências do Banco do Estado do Paraná (Banestado) e de outros bancos dizem respeito ao governo passado. ''As acusações não dizem respeito ao governo do PT e fazemos questão de sinalizar que nós não queremos perseguir o passado'', afirmou, deixando claro a intenção do PT de não adotar posturas ''revanchistas''. Foi justamente Mercadante que abriu a discussão sobre a CPI na reunião dos líderes com Sarney. Ele apontou as inconveniências políticas da eventual criação dessa CPI agora, apresentada à Mesa pelo senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT).
Mercadante afirmou que o governo teria meios de aprofundar as investigações das denúncias e que o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e o controlador-geral da União, Waldir Pires, assumiram o compromisso de concluir as investigações no âmbito governamental. Ao mesmo tempo, os senadores poderão acompanhar os desdobramentos ouvindo representantes da Polícia Federal (PF) e Ministério Público (MP) na Comissão de Fiscalização e Controle.


