Um acordo dos partidos governistas com a oposição, no final da tarde de ontem, permitiu a retomada das negociações para a votação do Orçamento da União de 2002 ainda neste ano. Os oposicionistas exigiam algumas concessões, como um reajuste do salário mínimo acima de R$ 200,00. Os líderes governistas acenaram com R$ 205,00. As oposições aceitaram. Além disso, foi feito um apelo para que os partidos de oposição dessem um voto de confiança ao governo e parassem com a obstrução. Em troca, o governo poderia editar nos próximos dias uma medida provisória para refinanciar as dívidas de pequenos e microprodutores rurais. Eles somam mais de 1 milhão e, juntos, devem R$ 4,5 bilhões.

A possibilidade de um entendimento começou ontem de manhã, depois de o PT ter concordado em votar 11 projetos de lei ampliando em R$ 10 bilhões as despesas do Orçamento deste ano e ter sinalizado para um acordo mediante algumas condições. Mas as oposições não estavam unidas. Até o final da tarde o PDT, o PC do B e o PSB fizeram obstrução. Por volta das 17 horas, os três partidos mudaram de posição e anunciaram que voltariam a tratar da votação do Orçamento.

O líder do PDT na Câmara, deputado Miro Teixeira (RJ), disse, depois de uma reunião com o PC do B, que havia retomado as negociações com o governo para aprovação do Orçamento da União de 2002. Em seguida, o senador Ademir Andrade (PSB-PA) concordou em votar os 11 créditos especiais que estavam na pauta do Congresso.

O presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), convocou uma reunião à noite com os líderes de todos os partidos. O entendimento, que poderá levar os parlamentares de volta a Brasília na semana entre o Natal e o Ano Novo, começou pela manhã, quando os presidentes do Senado e da Câmara, Ramez Tebet (PMDB-MS) e Aécio Neves transmitiram à oposição o apelo do presidente Fernando Henrique Cardoso para a conclusão da tramitação da proposta o mais rápido possível.

Preocupado com a contaminação da crise argentina na economia brasileira, o Palácio do Planalto pediu aos congressistas ''uma manifestação de maturidade''. Os presidentes do Senado e da Câmara devem anunciar hoje a prorrogação da autoconvocação por mais uma semana. Com isso, a sessão extraordinária se estenderá até a próxima sexta-feira, permitindo o término da votação do Orçamento antes da virada do ano. Caso 2002 comece sem a lei orçamentária sancionada, o Executivo não poderá realizar uma série de gastos, restringindo-se a pagar despesas obrigatórias salários e benefícios previdenciários , paralisando os gastos com investimentos.

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