O desgaste público de embolsar, num único mês, R$ 24 mil brutos fez ontem deputados e senadores da base aliada e da oposição fecharem acordo e aprovarem, em sete horas e meia de sessão do Congresso, 23 das 75 MPs que entraram na pauta da convocação extraordinária. O governo teve de manter no plenário da Câmara um plantão permanente de líderes e vice-líderes executando manobras regimentais. Eles esvaziaram, com isso, uma nova ameaça do líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), de colocar em votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que regulamenta a edição de medidas provisórias.
‘‘Quando abrimos a convocação tínhamos 75 MPs na pauta; vamos fechar a convocação com um terço delas votadas’’, disse o líder do governo, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP). Pela manhã, a liderança do governo no Congresso comandou uma reunião de líderes para tentar acordo de votação de 22 MPs.
A não votação na extra seria politicamente desastrosa para o governo e os parlamentares. Eles tiveram depositada ontem em suas contas a primeira parcela da convocação, equivalente a R$ 8 mil brutos.
‘‘Se há MPs que têm consenso da base e da oposição, vamos fazer um esforço para votá-las, senão todos perdem’’, apelou o vice-líder do governo, Ricardo Barros (PPB-PR). Durante a sessão do Congresso, o governo contou com a aliança do PSDB, PMDB, PTB e PPB e a concordância do PFL e da oposição para votar, por consenso, 13 medidas, numa primeira etapa, e outras 10, no final da tarde.
Depois de ser reeditada 73 vezes em seis anos, a MP que estabelece regras complementares ao Plano Real foi aprovada em votação simbólica. A oposição, que fez discursos contrários à política econômica do governo, não apoiou a MP, mas também não prejudicou a votação. Ela havia recebido 43 emendas, mas foram todas rejeitadas. ‘‘Ia pegar muito mal se não votássemos as MPs, mas eu preferia ganhar desgaste com a opinião pública do que perder na economia’’, avaliou o líder do governo Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM).

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