Acordo investiga crimes no PI
Cláudio Barros
Agência Estado
De Teresina
A Procuradoria da República, a Polícia Federal (PF), o Ministério Público (MP) e a Secretaria da Segurança Pública do Piauí acertaram uma parceria para investigar o crime organizado no Estado. O acordo foi acertado ontem, durante três horas de reunião entre o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, o governador Francisco Moraes Souza, o Mão Santa (PMDB), o presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Piauí, desembargador Falcão Lopes, dirigentes da PF e da Secretaria de Segurança Pública.
A Procuradoria da República e a PF vão investigar as ameaças a autoridades federais, desvio de verbas de programas de saúde e educação, sonegação de tributos federais e contrabando e armas. Vamos investigar esses crimes, que são federais, porque estamos querendo é buscar uma cooperação com o governo do Estado no sentido de apurar com rigor todos os crimes, disse Brindeiro.
O governador anunciou que, além da prisão do coronel Viriato Correia Lima, acusado de ser o chefe do crime organizado no Estado, outras medidas serão adotadas nesta semana. Ontem, o secretário de Segurança, Carlos Lobo, reuniu-se com todos os delegados de Polícia e nomeou o delegado Francisco Costa para comandar a equipe que investigará assassinatos, extorsão e falsificação de notas fiscais.
Também será pedido o desarquivamento de pelo menos dez processos criminais envolvendo assassinatos não-solucionados. Há indícios de que os crimes foram cometidos pelo bando liderado por Lima. Entre eles está o assassinato do delegado Francisco Arias, em 1989, em frente da Secretaria de Segurança, quando saía para prender Lima, principal suspeito de ser o mandante da morte de outro policial civil, Leandro Safanelli. Arias foi assassinado pelo soldado Francisco Moreira do Nascimento, que está preso no mesmo quartel em que Lima cumpre prisão administrativa.
Nascimento foi julgado em 1998 e absolvido por unanimidade, mesmo havendo provas de ter assassinado o delegado com um tiro nas costas. O promotor era João Benigno Filho, suspeito de envolvimento com o crime organizado e suspenso das funções. O juiz que presidiu o julgamento, Orlando Pinheiro, também está arrolado no dossiê do crime organizado, sob suspeita de receber propinas do grupo de Lima.
Ontem, ao deixar a reunião com Brindeiro e Mão Santa, o desembargador Augusto Falcão, presidente do TJ, informou que os dois juízes citados no dossiê, Pinheiro e Francisco das Chagas Moreira, serão notificados a apresentar defesa prévia em dez ou 15 dias. Só depois disso é que o Colégio de Desembargadores vai se reunir para decidir se eles serão afastados e submetidos a inquérito.





