Acordo garante CPI Mista no caso Banestado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de junho de 2003
Agência Estado 
Brasília - O Palácio do Planalto, Câmara e Senado fecharam acordo ontem para criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar a remessa supostamente ilegal de US$ 30 bilhões ao exterior, em transações financeiras feitas por meio das contas CC5 pela agência do Banestado em Nova York. A Comissão Mista vai investigar a evasão de divisas no período de 1996 a 2002. Depois de várias reuniões e muita negociação envolvendo o PT, o PSDB e o PFL das duas Casas, o requerimento para a criação da CPI Mista será lido hoje, às 9 horas, em sessão extraordinária do Congresso e sua instalação está prevista para o período da tarde.
A idéia de abandonar a CPI da Câmara e investir na coleta de assinaturas para criar a Comissão Mista de 16 deputados e 16 senadores contou com a interferência direta do Planalto. Como o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e o líder do governo, senador Aloízio Mercadante (SP), amargaram prejuízos políticos para barrar a CPI do Banestado no Senado, a pedido do governo, o ministro da Casa Civil, José Dirceu, teve de entrar em ação para reparar o desgaste.
O ministro aproveitou a reunião da coordenação do PT na Câmara, que avançou pela madrugada de ontem no Planalto, para pedir a colaboração e a compreensão de seu partido. Disse que a CPI do Senado não saiu a pedido do governo, mas não por temor ao inquérito. ''Não temos medo de CPI. O que temos é outra prioridade, que são as reformas'', disse o ministro. Dirceu lembrou ter argumentado aos senadores que as investigações do próprio governo já estavam avançadas e, por isto, o melhor era ter o Congresso concentrando esforços na aprovação das reformas tributária e previdenciária.
A divisão dos postos de comando da CPI Mista foi feita para atender a uma exigência do PSDB da Câmara. O líder Jutahy Júnior (PSDB-BA), que havia garantido a presidência da CPI da Câmara para o deputado Custódio de Mattos (MG), teve de negociar com o PFL a permanência de um senador tucano no cargo. O indicado pelo partido deverá ser o senador Antero de Barros (PSDB-MT), autor de um dos pedidos de CPI no Senado. O deputado José Mentor (PT-SP), petista da total confiança do ministro da Casa Civil, ficará com a relatoria.
Segundo o deputado Paulo Bernardo (PR), um dos coordenadores da bancada do PT, nem o governo nem o partido têm qualquer receio de envolvimento de petistas em remessa ilegal de dólares ao exterior. Por isto mesmo, e também para não desmentir o argumento aos senadores de que a investigação do governo já está adiantada, o Planalto tem um desafio agora: fazer com que o trabalho da força tarefa que apura o caso e da Corregedoria Geral da União esteja sempre um passo à frente da CPI Mista. (Leia mais na página 4)


