Curitiba - Um acordo entre o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e o Sindicato das Empresas de Bingos do Paraná (Sindibingos) evitou ontem mais um confronto policial em três casas de bingo que seriam fechadas, por determinação judicial, assim que abrissem as portas. Os bingos Mirage, Bristol e Millenium, que foram reabertos no mês passado amparados por liminar da Justiça Federal de Santo André (SP), resolveram acatar a decisão judicial e evitar o fechamento dos estabelecimentos comerciais por força militar.
Entretanto, já anunciaram que vão recorrer da decisão da desembargadora federal Ana Maria Pimentel, presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3 Região, que no último dia 1º de julho cassou a liminar da Justiça de Santo André.
''As ações são individuais, mas é certo que todas as casas vão continuar buscando judicialmente a reabertura definitiva dos estabelecimentos. O Brasil inteiro está aberto. Não existe justificativa para o Paraná proibir bingos'', afirmou Luiz Eduardo Dib, presidente do Sindibingos. Apenas continuam abertas no Estado as casas Kennedy Bingo e Village Batel, ambas em Curitiba e amparadas por liminares.
A desembargadora federal acatou os argumentos do governo do Estado de que o juiz federal de Santo André não tinha competência para julgar casos que pudessem acarretar ''grave lesão à ordem pública, afastando atos do Poder Executivo''. As três casas de bingo, com sede na Capital, argumentaram na ação que eram filiais da empresa Núcleo Jardins Administração e Comércio Ltda., com matriz em Santo André.
Ana Maria Pimentel considerou que a associação teve ''intuito de burlar os efeitos de decisões interlocutórias transitadas em julgado'', se referindo a determinações judiciais do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná e do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região que resolveram manter os estabelecimentos fechados.
''Eles tentaram enganar a Justiça de Santo André e até conseguiram por um determinado tempo, argumentando que seriam filiais de outros estados. Bingo é ilegal e no Paraná ele não é permitido. Isso só vai mudar quando houver uma regulamentação federal para o funcionamento dessas casas'', considerou ontem Luiz Fernando Delazari, secretário de Estado de Segurança Pública.

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