Acordo encerra 27 anos de guerra civil em Angola
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quinta-feira, 04 de abril de 2002
France Presse 
Luanda Os chefes do exército angolado e dos guerrilheiros da União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita) firmaram oficialmente ontem um acordo de cessar-fogo que deverá por fim a 27 anos de guerra. O acordo foi firmado pelo comandante militar da Unita, Abreu Karmorteiro, e pelo chefe do Estado Maior das Forças Armadas Angolanas (FAA), Armando da Cruz, na presença do presidente angolano Eduardo dos Santos.
Cerca de 4 mil pessoas assistiram a esta cerimônia oficial, realizada no Palácio dos Congressos de Luanda. Depois da assinatura, o presidente Dos Santos abraçou os generais signatários sob os aplausos da multidão. A morte no dia 22 de fevereiro passado do chefe histórico da Unita, Jonas Savimbi, nas mãos de soldados na província de de Moxico, considerado pelo governo e pela ONU como principal obstáculo ao restabelecimento da paz, precipitou os acontecimentos em Angola.
Entre os convidados, estiveram presentes o subsecretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e assessor em Assuntos Africanos, Ibrahim Gambari, os representantes da troika (Estados Unidos, Portugal e Rússia) encarregada de suvervisionar o protocolo de paz de Lusaka firmado em 1994, assim como os chefes de Estado maior dos exércitos de países da África austral, vizinhos de Angola.
Menos de três semanas depois de sua morte, no dia 15 de março, autoridades do exército e da Unita se comprometeram a encerrar as hostilidades em todo o território e quinze dias mais tarde conseguiram a redação de uma cordo sobre um cessar-fogo definitivo, que acaba de ser assinado de forma oficial.
Angola, ex-colônia portuguesa, esteve lacerada por uma guerra civil sem interrupções desde sua independência, em 1975. A guerra deixou um balanço de 500 mil mortos e cerca de 4 milhões de pessoas deslocadas, que fugiam dos combates, devastando a economia do país, que é rico em petróleo e diamantes.
Além disso, o Parlamento angolano aprovou terça-feira por unanimidade uma anistia para todos os combatentes da Unita. A anistia afeta todos os civis e militares angolanos e estrangeiros que cometeram crimes contra a segurança do Estado angolano.


