O anúncio feito pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, de acordo firmado com lideranças do Congresso para a votação do pacote fiscal - que implica em mudanças nas medidas que o governo pretendia tomar - não deve ser visto como um recuo, mas sim como uma ajuizada correção. Esta é a opinião do cientista político Sérgio Abranches, especializado em cruzar questões econômicas com política, e da economista Luciana Sá, gerente de Estudos e Pesquisas Econômicas da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).
‘‘É uma correção de rumo que tinha mesmo de ser feita’’, resume Abranches. ‘‘O mais importante é que o pacote seja aprovado e possa ser logo colocado em pratica’’, completa Luciana, para quem o fato de o governo estar se dispondo a rever uma série de medidas não terá impacto psocológico negativo sobre o mercado.
Segundo Abranches, o pacote, quando foi anunciado há algumas semanas, trazia a marca inegável da improvisação. No entender dele, houve mistura de pontos realmente necessários com alguns que podem tranquilamente ser qualificados de bobagens. O aumento da taxa de embarque nos aeroportos, para viagens internacionais, foi um dos equívocos, na opinião dele.
Antes do pacote, conta, o mercado achava que, se o governo tomasse um conjunto de medidas fiscais, não conseguiria uma economia nem de R$ 8 bilhões. ‘‘Se tivesse lançado o pacote tendo como meta R$ 15 bilhões, já estaria obtendo o dobro do que o mercado achava que ele não conseguiria, e não precisaria lançar mão de algumas medidas polêmicas’’, explica. Enfim, o pacote poderia ser baixado sem misturas.
Luciana diz que, de qualquer forma, o governo tinha de fazer um acordo com o Congresso, pois as medidas precisam ser aprovadas logo. No caso do aumento do Imposto de Renda (que agora vale só para a alíquota de 25%), ou a medida passa pelo crivo dos parlamentares na quarta-feira, ou então não poderá entrar em vigor em 1998.

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