Curitiba - O acordo informal feito entre o PSDB e o PFL, que garantiu a reeleição do governador Jaime Lerner (PFL) em 1998, ainda tira o bom humor do senador Alvaro Dias (PDT). Ontem, durante entrevista ao programa ''Canal Exclusivo'' da TV Exclusiva, o senador negou que tenha existido o acordo. Na época, Alvaro (então filiado ao PSDB) retirou sua candidatura ao Palácio Iguaçu, beneficiando Lerner, que acabou reeleito para um segundo mandato.

A manobra prejudicou a candidatura do senador Roberto Requião (PMDB), derrotado nas urnas por Lerner. Até hoje, o relacionamento entre os dois senadores não é dos mais amigáveis. ''A história do acordo branco é uma estultícia, é desculpa daqueles derrotados, que, não encontrando justificativa para a derrota, buscam desculpas'', disse Alvaro, de forma exarcerbada.

Segundo o senador, a decisão de retirar sua candidatura ao governo partiu da cúpula do PSDB. O partido decidiu, na época, que Alvaro disputaria uma cadeira ao Senado. ''Eu disse para meus companheiros de partido que se fosse preciso eu iria para o sacrifício, apesar da crueldade da decisão.'' Segundo ele, o PSDB optou pela independência ao não fazer aliança com o PFL e lançar chapa apenas ao Senado, à Câmara Federal e à Assembléia Legislativa.

Durante o programa, Alvaro também avaliou a atual administração estadual e afirmou que sua posição é a mesma da opinião pública, para quem, segundo ele, este é o governo mais impopular da história paranaense. ''O diagnóstico sobre a situação atual é muito ruim, o Paraná perdeu muito nesses anos e vai ter muito trabalho para se recuperar.''

Alvaro falou ainda sobre o seu processo de expulsão do PSDB, arquitetado a partir de maio deste ano pela cúpula do partido, e que culminou com sua filiação e a do irmão, o também senador Osmar Dias, ao PDT. A expulsão, na sua opinião, foi uma estratégia eleitoral dos adversários, para tomar o partido e aglutiná-lo a outras siglas para impedir alianças com o PDT.

Apesar da rivalidade histórica entre ele e Requião, uma aliança entre os dois partidos para 2002 não está descartada. Ontem, Alvaro afirmou que, por causa da incompatibilidade entre ambos, um acordo com o peemedebista é impraticável. Mas ressaltou que os partidos estão acima das desavenças pessoais.


O ex-governador também já admite a possibilidade de subir ao palanque e pedir votos para o candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Caso o PDT apóie Lula na eleição do próximo ano, Alvaro garantiu que vai seguir a orientação do presidente nacional da sigla, Leonel Brizola, e fazer campanha para o candidato petista.

O programa será reprisado hoje às 13h30 e poderá ser acompanhado também pelo site da Folha na Internet (www.bonde.com.br). A Folha e a TV fizeram parceria para a realização e transmissão do programa, que vai ao ar aos sábados, a partir das 13h30. A emissora pode ser sintonizada no canal 59 em UHF ou pelo canal 19 da TVA.

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