Curitiba - Técnicos da Companhia Paranaense de Energia (Copel) estiveram na noite de anteontem reunidos com deputados da base aliada do governador Roberto Requião (PMDB) para explicar os motivos que levaram o Estado do Paraná a propor a mensagem de lei número 382 de 2004, que prevê sociedade da estatal paranaense com a Eletrosul Centrais Elétricas em pelo menos três consórcios. Apesar das explicações, os deputados resolveram ontem esvaziar o plenário. A mensagem não passou por falta de quórum.
O projeto encaminhado pelo governo do Estado prevê a criação dos consórcios Gralha Azul, Artemis e Uirapuru. No Gralha Azul, a Copel teria participação acionária com 80% e a Eletrosul teria 20%. Esse consórcio nem é questionado pelos parlamentares e poderia ser aprovado isoladamente, se não tivesse inclusão dos demais consórcios a serem criados. ''Acho que o governo do Estado deveria ter mandado os projetos isoladamente para que nós pudéssemos analisar. Da forma como está, não tem como aprovarmos'', afirmou ontem o deputado estadual Tadeu Veneri (PT).
No Artemis, a Copel não teria participação acionária. Ela teria 31,66% das ações, a Eletrosul outros 31,66% das ações e a espanhola CYMI entraria com 31,67% das ações (além dos equipamentos). Outros 5% seriam ações da empresa Santa Rita que teria condições de conquistar empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para empreendimentos futuros nas regiões de Cascavel, Salto Santiago, Ivaiporã (110 quilômetros ao sul de Apucarana) e Londrina.
No Uirapuru, a Copel entraria com apenas 5% das ações, a Eletrosul com 44% e a espanhola CYMI com 31%. A empresa Santa Rita ficaria com 20% das ações. ''A impressão que dá é que o Estado encontrou uma empresa laranja para ajudar a conseguir empréstimos do BNDES e que vai se beneficiar como acionista, vendendo depois as ações por preços bem altos. Não temos como aprovar esse consórcio Uirapuru de forma alguma'', disse Veneri, que também já conversou sobre o tema com os técnicos da Copel.
A solução, no caso do consórcio Artemis seria colocar uma cláusula fazendo com que as empresas só pudessem vender ações entre si (Copel e Eletrosul), evitando que a espanhola se tornasse majoritária. Para conseguir entrar no leilão, ainda em andamento, o governo do Estado teve que dar o ''sinal'' da compra. Os valores não foram divulgados. Para o deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB), o pagamento de qualquer transação sem autorização prévia da Assembléia é um desrespeito aos parlamentares. ''Não vamos aprovar esse projeto. Ele desrespeita essa Casa e os parlamentares. Que isso sirva de exemplo para a Copel e para o governo do Estado'', discursou, pouco antes de pedir a contagem dos deputados presentes na sessão.

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