Acordo adia convocação de Malan
Um acordo entre governo e oposição adiou ontem uma possível convocação do ministro da Fazenda, Pedro Malan, pela CPI dos Bancos para falar sobre a operação de ajuda do Banco Central aos bancos Marka e FonteCindam. O acerto, que foi ratificado durante reunião secreta, envolveu os líderes do PSDB e do PFL, além do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e adiou a discussão por prazo indeterminado.
As articulações da base do governo para definir uma estratégia de ação diante do requerimento do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) começaram cedo. O petista pedia o comparecimento do ministro para explicar todos os pontos que são alvo de investigação da CPI, inclusive o caso Marka-FonteCindam, do qual ele nega ter tomado conhecimento.
O líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE), convocou uma reunião de manhã com o líder do PFL, Hugo Napoleão (PI), e os representantes dos dois partidos na CPI. Participaram do encontro os senadores Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO), Romeu Tuma (PFL-SP), Lúcio Alcântara (PSDB-CE), Romero Jucá (PSDB-RR), e o presidente interino da comissão, José Roberto Arruda (PSDB-DF).
O PSDB defendeu a tese de que o requerimento deveria ser posto em votação e derrubado para que o assunto tivesse um ponto final. Mas Suplicy iniciou uma contra-ofensiva para evitar que seu requerimento fosse rejeitado, o que impediria uma nova discussão. Quero que o requerimento seja apreciado como os demais, quando se chegar a um consenso, disse Suplicy no plenário, anunciando o que já havia negociado com o relator João Alberto (PMDB-MA).
O relator, que tem a função de dar parecer sobre qualquer requerimento apresentado à comissão, propôs a Suplicy que seu pedido aguardasse o consenso em torno do assunto. Suplicy levou a proposta a Jáder, Napoleão e ACM, que concordaram com o adiamento da discussão.
Ontem, em Nova York, Fernando Henrique quebrou o silêncio sobre a possibilidade da convocação de Malan: O que tinha que ser dito foi dito por Pedro Malan - eu não sou Pedro Malan, respondeu o presidente quando um jornalista perguntou sobre o grau de envolvimento do ministro na operação de socorro aos bancos. O próprio Malan disse que não tinha sido informado sobre o assunto, então o que é que eu posso acrescentar ao que já foi dito?. O ministro, disse FHC, é um homem responsável e um funcionário público leal.Arquivo FolhaMagalhães: voto pela derrubada do requerimento foi fundamentalCláudia Carneiro
Agência Estado





