Acordo acalma bancada ruralista
O cenário da rebelião pública da bancada ruralista foi a comissão de Agricultura da Câmara, onde o assessor especial do ministro da Fazenda para Assuntos da Agricultura, Geraldo Fontelles, participava de uma audiência pública e foi socorrido pelo deputado Arnaldo Madeira para, juntos, negociar o acordo cobrado pelos ruralistas que, segundo eles, já estava negociado há um mês mas emperrou nos gabinetes do governo. A palavra final foi dada ainda durante a manhã pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente, e anunciada posteriormente na Comissão de Agricultura.
O acordo envolveu o compromisso do governo de regulamentar os fundos constitucionais ligados à Agricultura (permitindo assim a renegociação das dívidas de agricultores com esses fundos); prorrogar parcelas da securitização das dívidas do setor (R$ 450 milhões); financiar o estoque de 1,5 bilhão de litros de álcool dos produtores, calculado em R$ 220 milhões; e elevar de 25% para 30% a parcela dos depósitos à vista que os bancos têm de aplicar na Agricultura, o que representa um adicional de R$ 1 bilhão para o setor agrícola. ‘‘Não íamos aparecer no plenário caso o governo não honrasse o acordo’’, afirmou o deputado Abelardo Lupion (PFL-PR), um dos representantes das bancada dos ruralistas.
As negociações no varejo foram mais intensas e os gabinetes das lideranças dos partidos aliados ao governo passaram o dia lotados. Aos deputados que não foram reeleitos e reclamavam um prêmio do governo, os líderes e vice-líderes lembravam que o voto contra a reforma poderia dificultar qualquer negociação futura para aproveitamento dos parlamentares sem mandato em cargos federais.
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