Acordo abre nova era na relação EUA-Rússia
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sexta-feira, 24 de maio de 2002
Agência Folha 
Moscou Os presidentes dos Estados Unidos, George W. Bush, e da Rússia, Vladimir Putin, firmaram ontem em Moscou um acordo que deve reduzir em dois terços os arsenais nucleares de seus países até 2012. Deixaremos de lado todas as dúvidas e suspeitas para dar as boas vindas a uma nova era nas relações, disse Bush em um encontro com Putin, transmitido pela televisão, no Kremlin. Hoje, podemos dizer que estamos criando relações qualitativamente novas, afirmou Putin.
Pelo tratado, os dois países têm dez anos para reduzir para entre 1.700 e 2.200 ogivas o seu arsenal de armas de longo alcance, herdado da Guerra Fria. Hoje, cada país tem cerca de 6.000 ogivas desse tipo. É o primeiro acordo de desarmamento entre eles desde janeiro de 1993.
A Rússia conseguiu que o acordo tenha status de tratado, mas uma parte das ogivas nucleares desativadas e de seus vetores (mísseis, bombardeiros, submarinos) poderá ser conservada, embora Moscou quisesse que fossem destruídas.
Essa situação coloca Moscou em uma posição de inferioridade em relação a Washington, devido à idade avançada do arsenal russo, que não poderá ser posto de novo em serviço a partir de certa data. A Rússia não dispõe dos meios necessários para renovar seus armamentos.
O acordo foi criticado pelos comunistas russos, que acusaram Putin de ter traído os interesses do país.
Estratégia Os Estados Unidos e a Rússia também assinaram um acordo por uma nova relação estratégica. Segundo analistas, esse documento ainda tem um sabor de Guerra Fria e não reflete a guerra ao terrorismo que atualmente une russos e ocidentais.
Mas a reunião de cúpula, a primeira de Bush em território russo, foi ofuscada pelas queixas dos EUA contra uma usina nuclear que a Rússia está construindo no Irã. Os norte-americanos acham que isso é um incentivo para que Teerã construa uma bomba atômica.
Em seu discurso, Bush disse que o governo do Irã, de clérigos radicais, não pode ter acesso a armas de destruição em massa. Um assessor dele disse que a ajuda russa aos iranianos é a ameaça mais importante de proliferação de armas atômicas que existe.
Imediatamente Putin rejeitou as acusações: A cooperação entre Rússia e Irã não é de um caráter que abale o processo de não-proliferação. Há sinais de que os Estados Unidos podem tentar convencer países industrializados a reduzir a dívida externa deixada para a Rússia pela União Soviética caso Moscou desista do projeto da usina nuclear. Além disso, Bush prometeu se empenhar para que o Congresso Norte-Americano revogue uma emenda constitucional de 1974, conhecida como Jackson-Vanik, que cria restrições no comércio com a Rússia.


