Leandro Donatti
O atendimento das exigências do prefeito Antonio Belinati, consumado com a dissolução do diretório municipal ontem, tranquilizou o Palácio Iguaçu. O governador Jaime Lerner (PFL) soube da dissolução ainda na manhã de ontem. Logo após o retorno do secretário-chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas, designado por ele para intermediar pessoalmente o contato entre Belinati e Alex Canziani, anteontem à noite. A acomodação, garantindo a filiação do prefeito no PFL, era classificada ontem como uma vitória política do governo estadual.
Na avaliação dos aliados mais próximos ao poder, o governador Jaime Lerner se livrou de um problema. A transferência de Belinati para outra sigla poderia resultar na ruptura oficial do prefeito da segunda maior cidade do Paraná com o governador. Lerner tenta reconstruir seu relacionamento com a família Belinati. A harmonia está arranhada desde o final do ano passado, quando a mulher de Antonio Belinati, a vice-governadora Emília Belinati (PTB), insurgiu-se contra o secretariado montado pelo governador. Ela, inclusive, não participou da posse dos secretários, em janeiro. A relação entre Emília e Lerner nunca mais foi a mesma e tem se limitado às formalidades dos cargos.
A submissão de Alex Canziani às condições de Belinati foi bem aceita também pelo comando estadual. O presidente estadual do partido, João Elísio Ferraz de Campos, ficou tranquilo com o ‘‘acordo’’, que, aparentemente, foi mais interessante para o prefeito de Londrina. Ele apelou, na última segunda-feira, para que os dois chegassem a um consenso. O pedido de João Elísio veio logo após a executiva estadual hipotecar apoio integral às exigências de Belinati.
Os deputados federais avaliaram como natural a dissolução do diretório municipal anunciada ontem em Londrina. Para eles, o partido tem interesse direto na entrada de Belinati. ‘‘E não tinha cabimento o secretário do Trabalho ficar criando empecilhos’’, disse ontem um parlamentar à Folha.
Segundo o deputado, a análise da bancada é de que o Partido da Frente Liberal precisava de um nome com densidade eleitoral para o ano que vem. O partido não dispunha de alguém de peso para disputar a prefeitura de Londrina, ainda mais com a possibilidade de reeleição. E o atual prefeito vem despontando como o líder das últimas pesquisas de opinião pública.

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