As ações sobre o desvio de recursos da Prefeitura de Londrina, caso que ficou conhecido como Escândalo AMA-Comurb, podem levar dez anos para serem concluídas. A avaliação foi feita ontem pelo promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, durante o anúncio oficial do Prêmio Integridade 2001. Concedido ao Ministério Público (MP) de Londrina e ao Movimento pela Moralização na Admistração Pública, o prêmio é distribuído pela Transparência Internacional, ONG especializada no combate à corrupção. A ONG não irá destinar uma premiação em dinheiro aos promotores, que terão suas passagens custeadas pelas entidades que representam o MP.
Segundo Galatti, o MP atingiu pelo 50% da meta traçada no início das investigações, em fevereiro de 1999. ''Todos nós sabemos das forças que trabalham nos bastidores, das forças ocultas que muitas vezes impedem um trabalho de chegar ao seu final para que os verdadeiros culpados sejam punidos'', ressaltou.
''Temos as ações penais e civis em andamento, quando tivermos as decisões definitivas desses casos, poderemos considerar os trabalhos encerrados'', explicou Galatti. E acrescentou: ''A expectativa, em razão de nosso sistema processual, é que essas ações levem de cinco a dez anos para um resultado final.'' São mais de 20 processos que envolvem cerca de 125 pessoas.
A conquista do prêmio internacional foi anunciada oficialmente ontem de manhã no auditório da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), pelo secretário-geral da Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo. Os promotores Cláudio Esteves, Solange Noves Vicentin e Bruno Galatti, que estiveram à frente das investigações sobre a corrupção durante a administração do ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido), serão homenageados pela ONG no dia 7 de outubro, em Praga, capital da República Tcheca.
O empresário Valter Orsi irá como representante do Movimento pela Moralização, que tem como slogan ''Pés Vermelhos, Mãos Limpas''. Orsi disse estar satisfeito por fazer parte do movimento e ironizou o fato de estar sendo processado por uma das pessoas citadas pelo MP. ''Essa ação é uma honraria, quer dizer que estive ativo em busca do respeito, da transparência do dinheiro público. E hoje temos uma certificação internacional'', afirmou.
Para Esteves, o prêmio mostra que a Constituição de 1988 acertou ao conferir ao MP o combate à corrupção. Ele evitou dizer se o reconhecimemto é uma resposta aos autores dos ataques aos promotores. ''Pode até ser visto deste modo, mas os ataques que sofremos, tão infundados e sem credibilidade não produziram qualquer efeito'', comentou.
A promotora Solange Vicentim destacou o papel institucional do MP em todo o país, no combate à corrupção. ''O mais importante foi essa simbiose entre o nosso trabalho e a sociedade civil organizada'', observou. ''A divulgação de nosso trabalho pela imprensa e a cobrança da sociedade fizeram com que nós nos aperfeiçoássemos e a sociedade conhecesse e acreditasse em nosso trabalho.''
Estiveram presentes à solenidade o subprocurador de Justiça do Paraná, José Carlos da Costa Coelho, a presidente da Associação do MP paranaense, Maria Tereza Uilli, e o corregedor-geral do MP, Hélio Airton Lewin.

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