Curitiba - O diretório municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) protocola hoje uma ação judicial contra o reajuste da tarifa do transporte coletivo de Curitiba. O processo, que pede a derrubada do decreto que autorizou o aumento, não deve ser a única medida judicial tomada contra a Prefeitura. Ontem o Partido Verde (PV) também anunciou que irá contestar na Justiça o reajuste. A União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES) estuda medida semelhante.
''O aumento da tarifa desrespeitou a própria legislação do município'', afirmou o vereador e líder do PT na Câmara, Pedro Paulo. Segundo o vereador, a lei do transporte coletivo, aprovada no início do ano passado, determinava que o cálculo de uma nova tarifa deveria ser submetido a análise do Conselho Municipal de Transporte. ''Como o Conselho ainda não foi implantado, essa determinação foi desrespeitada'', apontou.
O vereador também diz que o aumento anunciado no início do ano pode ter que ser revisto daqui a alguns meses. ''A negociação salarial dos motoristas e cobradores está prevista para março e abril. Haverá um novo reajuste depois disso?''
Já o PV promete acionar a Justiça ainda esta semana para impedir a manutenção do reajuste. ''Não se sabe quais os custos e o lucro das empresas de ônibus o que transforma a Urbs (Urbanização de Curitiba) numa caixa-preta da administração municipal'', disse o secretário de Juventude do partido, Raphael Rolim.
Hoje UPES e a União Paranaense dos Estudantes (UPE) realizam, às 13h30, uma manifestação pública contra o aumento na praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba.
No Governo do Paraná, a Coordenação da Região Metropolitana (Comec) informa que está analisando a planilha de custos da Urbs. ''Estamos fazendo um estudo para verificar qual foi o embassamento da Prefeitura para aplicar esse aumento'', declarou o coordenador Alcidino Biercourt Pereira.
Segundo Pereira, a Urbs não respeitou os dispositivos do convênio que mantém com a Comec para a administração da Rede Integrada de Transportes da Região Metropolitana. No entanto, caso o reajuste seja considerado fundamentado pelos técnicos do governo, a Coordenação não deverá contestá-lo. ''Se for fundamentado não tem por que contestar.''
A tarifa foi reajustada de R$ 1,90 para R$ 2,20. Foi o primeiro reajuste desde abril de 2007. A Urbs informou que não irá comentar ameaças de processos. Segundo a instituição, caso a tarifa permanecesse em R$ 1,90 o sistema acumularia um déficit de R$ 92 milhões a R$ 122 milhões em 2009.

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