O Ministério Público (MP) ajuizou ontem duas ações criminais denunciando o desvio de dinheiro dos cofres da Prefeitura de Londrina. Ambas já foram relatadas em ações civis públicas, que pedem o ressarcimento de R$ 176 mil.
Na denúncia por formação de quadrilha e peculato, encaminhada para a 4 Vara Criminal, foram denunciados os ex-prefeitos Antonio Belinati (hoje no PSL) e Jorge Scaff, o ex-secretário de governo Gino Azzolini Neto, o ex-vereador Célio Guergoleto, o ex-presidente do Londrina Esporte Clube José Carlos Castro Costa, e o ex-assessor especial do Esporte da prefeitura, Paulo Vicente Viana, pelo suposto desvio de R$ 70 mil.
A ação relata que, em setembro de 1998, a prefeitura teria repassado um cheque de R$ 70 mil para o Grêmio Esportivo, Recreativo e Literário Londrinense, que mantinha o Londrina Basquete. No entanto, o dinheiro teria sido depositado na conta conjunta de Costa, o ''Zé Café'', e de Guergoleto, que era coordenador do Londrina Esporte Clube (LEC). A conta seria utilizada para a administração do clube. De acordo com o MP, deste montante R$ 36 mil teriam sido depositados na conta de Scaff. ''A utilização do Grêmio foi resultante de um esquema articulado entre os denunciados Antonio Belinati, Gino Azzolini Neto, Paulo Vicente Viana e Jorge Scaff, esquema esse que acabou servindo aos interesses particulares dos envolvidos que desviaram grande parte dos recursos que passaram pelo Grêmio de sua finalidade original, não só causando lesão ao erário, mas permitindo o enriquecimento ilícito próprio e de terceiros'', diz parte da denúncia.
Na ação penal por crimes contra a lei de licitações encaminhada para a 5 Vara Criminal, também foram citados Azzolini Neto e Viana, além do empresário Sérgio Abujanra e um funcionário. Eles teriam participado do desvio de R$ 116,8 mil de um convênio firmado em 1998, entre o programa Paraná Esporte, do governo do Estado e a Prefeitura de Londrina. Os recursos seriam destinados para o Centro de Excelência de Basquete.
Conforme o MP, o dinheiro teria sido desviado através de três cartas-convite fraudadas para a confecção de 21 mil camisetas, 16 mil bonés e 500 bolsas. As licitações foram vencidas pela empresa de Abujanra e o material licitado nunca teria sido entregue. A reportagem tentou entrar em contato com o empresário, mas ele não foi localizado. Em entrevista concedida à Folha, em outubro de 2003, Abujanra relatou que a participação nas licitações foi o meio encontrado para receber por materiais esportivos fornecidos anteriormente à prefeitura.
O advogado de Azzolini Neto, Omar Badauy, negou a participação do ex-secretário nos desvios. ''O MP firmou uma opinião que deve sempre estar denunciando o Gino porque ele foi secretário, mas na verdade nada se mostrou que possa levar a esta conclusão'', afirmou. O advogado de Belinati, Antonio Carlos de Andrade Vianna, disse que se manifestará após a notificação.
O ex-presidente do LEC e Guergoleto disseram que irão provar que não houve irregularidades. ''Vamos esclarecer os fatos. Vamos levar o extrato global da conta para a promotoria'', disse Costa. ''Vou provar em juízo que eu nunca peguei nada da prefeitura'', afirmou Guergoleto. Paulo Viana não foi localizado pela reportagem.

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