Se no horário eleitoral os ataques entre os candidatos não decolaram, nos bastidores a briga jurídica entre duas coligações anda mais acirrada do que nunca. Ontem, a ''É preciso mudar Londrina'', do candidato à Prefeitura Barbosa Neto (PDT), entrou com duas ações contra o candidato a vereador Gustavo Castro, integrante da coligação ''Londrina Forte e Digna'', que tem Luiz Carlos Hauly (PSDB) como nome ao Executivo. Em uma das ações, protocolada na 41 Zona Eleitoral, os pedetistas requerem a cassação do registro de candidatura de Castro por suposto gasto ilícito de recurso para fins eleitorais. Na Justiça cível, o grupo entrou com uma ação por danos morais e à imagem em que é pleiteada uma indenização de R$ 500 mil.
Ambas as ações têm origem na apreensão de jornais de campanha que Castro admitiu ter mandado confeccionar - 5 mil exemplares, a um custo de R$ 1,2 mil - com notícias veiculadas pelo jornal Correio Braziliense sobre investigações que correm em Brasília envolvendo Barbosa. O material foi remetido pela Polícia Federal (PF) à Justiça Eleitoral; ontem, o juiz da 42 Zona, Carlos Maurício Ferreira, acolheu o parecer do Ministério Público Eleitoral (MPE) e solicitou que a PF instaure inquérito para apurar se houve crimes falsificação, utilização e distribuição de documentos públicos com finalidade eleitoral.
Na ação que a coligação do pedetista protolocou ontem pedindo investigação eleitoral, a juíza da 41 Zona, Denise Hammerschmidt, terá de analisar se Castro teve gasto ilícito com a confeccção do material. Isso porque, sustenta o advogado dos pedetistas, Marcos Kaimen, ''pesquisando as contas prestadas pelo candidato a Vereador, constatou-se que o mesmo não declarou o gasto com o material mencionado, pelo que praticou (...)
a infração gasto ilícito de recurso''. Uma cópia da prestação de contas parcial do tucano foi anexada aos autos; nela, consta doação de R$ 200 e despesas de R$ 664 - nada declarado com confecção de jornais ou revistas.
Na esfera cível, a coligação de Barbosa sustenta que, no jornal distribuído por Castro, há matérias que ''tentam vincular o requerente em casos, como por exemplo, do 'mensalão', e com a 'Operação Vampiro', além de uma matéria intitulada 'algemas e fichas sujas'''. A defesa sustenta que teria havido uma série de montagens para relacionar o pedetista aos escândalos de Brasília, o que ''sempre deixará marcas e desvalorização''.
O advogado da coligação tucana, Frederico Reis, disse que a defesa na ação por danos morais terá um argumento básico: ''As matérias publicadas são verdadeiras'', resumiu. ''Na ação eleitoral, já foi pedido para abrir inquérito na PF e o Gustavo não está mais fazendo esse jornal - isso é tudo mis en scène (encenação) deles.''

mockup