Entre os milhares de processos em tramitação no Fórum de Londrina, aguardam julgamento as 22 ações civis públicas ajuizadas pelo Ministério Público (MP), que denunciam o desvio de R$ 11 milhões dos cofres municipais na gestão do ex-prefeito Antonio Belinati (PP). O caso ficou conhecido como escândalo AMA-Comurb. Apesar de algumas ações terem sido ajuizadas há quase cinco anos, a grande maioria ainda está em fase de notificação preliminar.
  Para o membro da organização não-governamental (ONG) Pés Vermelhos, Claudemir Molina, a demora no julgamento dessas ações serve como um ‘‘exemplo negativo’’ para a sociedade. ‘‘Quando você vê que a impunidade persiste, serve como exemplo negativo para a sociedade, para a população que passa a ter uma imagem distorcida do homem público. Entendo que isso para nós seria uma forma de dar uma satisfação para a sociedade que atos que improbidade prejudicam muito mais a sociedade do que pequenos delitos. As ações mais importantes deveriam ter tramitação prioritária’’, disse.
  Já o presidente da subseção Londrina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), José Carlos da Rocha, atribui a demora na tramitação dos casos ao grande número de réus das ações. ‘‘Os processos AMA-Comurb estão desse jeito não pelo volume de processos, mas o grande problema é que são movidos contra muitos réus. Em cada ato do processo tem que intimar todo mundo. É um processo fadado a não ter um final’’, afirmou. ‘‘Se não tivesse o número de réus sendo processados no mesmo feito, as ações fossem individuais ou destacados os mais importantes, os processos andariam mais rapidamente’’, complementou.
  A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, autora das ações, argumentou que, por lei, não poderia fracionar ou dissociar as situações que envolveram várias comissões de licitação e beneficiários de pagamentos indevidos em um mesmo contexto. (C.O.)

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