Desde o ano passado, representantes do Ministério Público (MP) já apresentaram mais de três dezenas de recomendações administrativas e ações judiciais visando coibir o nepotismo no Estado. A maior parte das medidas, porém, não vem sendo atendida pelos executivos e legislativos municipais, e a Justiça ainda não tinha reconhecido o princípio constitucional da moralidade como suficiente para proibir o emprego de parentes em cargos comissionados.
  A decisão do procurador-geral do MP, Milton Riquelme de Macedo, no início do ano, de não processar o governador Roberto Requião, que emprega vários parentes, esfriou o ânimo dos promotores. Mesmo gozando de independência funcional, representantes do MP disseram à Folha, sob condição de anonimato, que engavetaram ações já redigidas após a decisão do procurador chefe.
  Outro fato que ajudou a minar a argumentação antinepotismo foi o arquivamento de um projeto de lei, na Assembléia Legislativa, que proibia expressamente a prática nos legislativos e executivos do Estado. Atualmente, a Assembléia discute outro projeto com o mesmo teor, apresentado pelo governador.
  Levantamento da assessoria de imprensa do MP indica que promotores de pelo menos 26 municípios já encaminharam recomendações administrativas a prefeituras e câmaras para demissão de parentes: Icaraíma, Ivaté, Alto Paraíso, Cascavel, Santa Tereza do Oeste, Lindoeste, Paranacity, Chopinzinho, Bela Vista do Paraíso, Guaratuba, Santa Mariana, Loanda, Porto Rico, Querência do Norte, Santa Cruz do Monte Castelo, São Pedro do Paraná, Arapongas, Sabáudia, Astorga, Santa Fé, Iguaraçu, Munhoz de Melo, Flórida, Ângulo, Manoel Ribas e Nova Tebas. Em pelo menos 13 cidades, além de São Mateus do Sul, os promotores já apresentaram ações judiciais: Maringá, Paraíso do Norte, Mirador, São Carlos do Ivaí, Lapa, Contenda, Matinhos, Pontal do Paraná, Alto Paraná, Santo Antônio do Caiuá, São João do Caiuá, Almirante Tamandaré e Campo Magro. (F.C.)

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