Curitiba - No primeiro dia útil depois que o governo do Estado anunciou que a Copel poderá participar do leilão de trechos de rodovias federais, as ações da companhia fecharam o dia ontem com queda de 5,35%. A Bovespa caiu apenas 0,60%. Analistas de mercado consultados pela FOLHA acreditam que a queda dos papéis da estatal está relacionada à possibilidade de a empresa entrar em uma atividade que não é fim, ou seja, fora da área de energia elétrica. Ontem, as ações preferenciais da Copel (CPLE 6) fecharam em R$ 29,00 mas, atingiram uma mínima de R$ 28,90 com pico de queda de 5,67% e máxima de R$ 30,55, o que significou uma baixa de 0,29%. Na última sexta-feira, os papéis da companhia tinham fechado em R$ 30,64, mas ontem já abriram o pregão em queda. A Copel informou que não comenta reações de mercado.
O diretor da SM Consultoria, Sérgio Martenetz, acredita que o anúncio feito na última sexta-feira pelo governo estadual pode ter provocado a queda nas ações, porque a área de rodovias foge do campo de atuação da Copel. ''O objetivo da Copel é energia e não estrada'', disse. Ele destacou que o mercado todo fechou em baixa mas não com a intensidade da Copel. A Companhia Paulista de Força e Luz teve queda de 0,80% e a Eletropaulo de 0,68%. ''A Copel vai aplicar recursos em uma atividade que não é atividade fim. Os investidores não gostaram disso e deram a demonstração vendendo a ação'', explicou.
O analista de mercado da Estratégia Soluções Financeiras, Mohamed Talah Junior, também acredita que a queda das ações está relacionada com a entrada na área de rodovias. ''A função da Copel é distribuição, geração e prestação de serviço. O que uma companhia que não é de logística vai fazer na área de pedágio?'', questionou.
A queda das ações da estatal pode ter duas explicações na opinião do diretor da Pactum Consultoria Empresarial, Gilson Teodoro Faust. Um deles é a entrada na área de concessão de rodovias. Ele acredita que, com o movimento de queda na bolsa, a tendência é que sejam vendidas as ações que têm maior liquidez. Para ele, há falta de clareza dos reflexos que ocorreriam na rentabilidade da Copel ao participar de um negócio que não é a atividade principal.
O diretor de fundo de investimento do Paraná Banco, André Paes, tem opinião divergente sobre o assunto. Ele destacou que o setor elétrico está caindo mais que a bolsa. ''Não é um risco específico da Copel'', disse. Ele lembrou que o setor de energia está sofrendo porque há receio de uma desaceleração maior na economia dos Estados Unidos. Hoje o Banco Central dos EUA (Fed) se reúne para decidir a respeito da taxa de juros. ''Os EUA crescendo menos, o Brasil cresce menos e impacta no setor de energia'', analisou.
Na última sexta-feira o Executivo enviou à Assembléia Legislativa uma mensagem que autoriza a Copel a estabelecer parcerias, com participação majoritária ou não, para participar do leilão de trechos de rodovias federais previsto para ocorrer em 9 de outubro. Entre os sete trechos que serão licitados, está o segmento da BR-116 que vai de Curitiba à divisa de Santa Catarina com Rio Grande do Sul, num total de 412,70 km. Outros dois trechos também incluem a Capital paranaense: segmentos da BR-116 que vai de São Paulo a Curitiba (401,60 km) e da BR-116, da BR-376 e da BR-101 que vai de Curitiba a Florianópolis (382,33 km).

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