Curitiba - A própria compra dos 45% das ações da Sercomtel pela Copel foi questionada ontem durante as acareações na CPI. As ações foram compradas por R$ 186 milhões. Não houve uma avaliação externa pela Copel. O valor sugerido pela consultoria contratada pela Copel foi acatado.
A estatal fez os pagamentos seguindo um pedido feito por Antonio Belinati: R$ 40 milhões foram direcionados para os bancos FonteCidam e Financeiro, Industrial e de Investimentos para quitar uma dívida de R$ 22 milhões feita durante a gestão de Luiz Eduardo Cheida, ex-prefeito e hoje secretário de Estado do Meio Ambiente, entre os anos de 1993 e 1996; R$ 17,3 milhões para a Banestado Corretora como pagamento de empréstimos firmados entre 1997 e 1998; e R$ 13,8 milhões para a Sercomtel Telecomunicações. Do que foi para a Prefeitura de Londrina, R$ 1,2 milhão foram destinados para a conta geral do município (para os cofres públicos) e R$ 16,8 milhões para uma conta remunerada onde os recursos não poderiam ser usados sem o aval de Belinati.
A compra das ações teria sido discutida apenas pela presidência da Copel, no comando de Ingo Hubert e pela presidência da Sercomtel, na época dirigida por Rubens Pavan. ''Fui chamado para uma reunião com os dois e eles me convenceram que deveria validar a compra das ações e liberar os recursos da Copel. A Sercomtel estava crescendo na ocasião e se preparava para colocar ações na Bolsa de Valores de Nova York. Havia a perspectiva de rentabilidade de 6% nas ações em pouco tempo'', disse Ferdinando Schauenburg, diretor financeiro da Copel entre os anos de 1996 e 2001.
Inicialmente a Copel compraria 35% das ações num valor total de R$ 165 milhões. O contrato final previa 45% das ações da Sercomtel num valor total de R$ 186 milhões. ''Não entendo como numa primeira avaliação um por cento das ações valia R$ 4,8 milhões e passou para R$ 2,6 milhões nos últimos 10% que foram adquiridos pela Copel. Houve um deságio de 60%. A impressão que eu tenho é que a direção da Sercomtel teve um surto e resolveu vender ações a um preço mais justo'', ironizou Vanderlei Iensen (PDT), integrante da CPI. Schauenburg não soube explicar os motivos do ''deságio''. (L.P.)

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