Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Em nome do filhoACM, ao lado da mulher Arlete e de FHC, chora durante missa em homenagem a Luís Eduardo: promessa de continuar obra do filhoAinda abalado com a morte do filho Luís Eduardo Magalhães, há oito dias, o presidente do Congresso, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), reapareceu ontem em Brasília com um discurso enérgico pela votação das reformas. Na reunião de ontem no Palácio do Planalto , ACM disse que a morte do filho não o venceu. ‘‘Estou me sentindo um pouco maior porque sou dois: sou eu mesmo e sou parte dele, porque ele gostaria que eu aqui estivesse.’
Antônio Carlos desembarcou na noite de segunda-feira na Base Aérea de Brasília, trazendo de Salvador a família, os amigos mais próximos e políticos que foram à Bahia assistir à missa de sétimo dia da morte de Luís Eduardo. Quem não esteve em Salvador, foi recebê-lo na sua chegada, como o ex-presidente José Sarney e sua mulher, dona Marly, além de vários senadores.
ACM chorou ao abraçar amigos, na extensa fila formada na Catedral de Brasília após a missa em memória a Luís Eduardo, que reuniu cerca de 500 pessoas. Mas, depois, já no gabinete, reafirmou: ‘‘Amanhã estarei presidindo a sessão do Senado; eu quero votar o que tiver aqui para ser votado.’’
O líder do governo no Senado, Élcio Álvares (PFL-ES), estava entre os presentes e foi indagado na mesma hora sobre o proposta que cria novas regras para os planos de saúde, em tramitação no Senado. ‘‘Élcio, temos de resolver esta questão, já passou muito do prazo normal, quando vamos votar?’’ O líder respondeu que o Senado aguardava a presença do ministro da Saúde, José Serra, para falar do projeto. ‘‘Temos de votar, temos de votar; e a reforma administrativa, que já está aprovada e ainda não foi promulgada por causa das medidas provisórias?’’, continuou Antônio Carlos. ‘‘Vou colocar a redação final em votação na terça-feira e vou promulgá-la no prazo (10 dias depois de aprovada redação final)’’, garantiu.
O senador conversou sobre o governo da Bahia, os processos de cassação na Câmara, a crise envolvendo a aliança entre Leonel Brizola e Luiz Inácio Lula da Silva, e a falta que sente de Luís Eduardo. Disse que até sexta-feira resolverá a candidatura pefelista ao governo da Bahia, até porque as pressões ‘‘são muitas’’ para que ele seja o candidato, e admitiu ser difícil votar algum processo de cassação este ano, depois da condenação do ex-deputado Sérgio Naya.
Para o senador, o quadro cardíaco de Luís Eduardo agravou-se depois que a Câmara se reuniu para votar a cassação de Naya. Tanto ele quanto Luís Eduardo - relatou - ‘‘sofreram’’ muito com a possibilidade de Naya não ser cassado. ‘‘Se a Câmara não cassasse Naya, eu não poderia deixar de criticá-la, e o povo também reagiria nas eleições’’, comentou. Antônio Carlos contou para os amigos que leu todos os artigos e noticiário sobre o filho morto. E reclamou do enfoque dado a sua influência sobre as idéias do filho. ‘‘Engana-se quem achar que eu fazia a cabeça de Luís Eduardo, ele é quem fazia a minha; ele me ajudou a mudar minhas idéias, eu era um estatizante’’, disse ele.

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