O senador Antonio Carlos Magalhães usou seu primeiro discurso no plenário neste ano legislativo para voltar à carga contra seu sucessor, o presidente da Casa, Jader Barbalho (PMDB-PA). ACM apresentou cópias de cheques e documentos com denúncias de corrupção em dois portos do País, desvios de recursos públicos envolvendo o nome de Jader, ministros do PMDB e correligionários do partido. A reação de Jader foi imediata: anunciou a instauração de dois inquéritos para a apuração de supostas irregularidades em negócios formalizados na gestão de ACM como presidente do Senado.
Como era esperado por assessores do Palácio do Planalto, ACM poupou o presidente Fernando Henrique Cardoso, mas não deixou de acusar ministros de terem liberado recursos para parlamentares de forma a garantir a vitória de Jader no Senado e do deputado Aécio Neves (PSDB-SP), eleito presidente da Câmara. Ele responsabilizou ministros do PMDB por envolvimento em fraudes ou omissão na apuração de casos de desvio de dinheiro.
‘‘Mas quem são os verdadeiros responsáveis pelos desmandos? Quais as responsabilidades apuradas? O Erário foi ressarcido?’’, questionou ACM. ‘‘E os corruptos e corruptores? Continuarão impunes, tacitamente anistiados?’’ Depois de lembrar a declaração em que teria comparado Fernando Henrique a Jader Barbalho, ACM ressaltou a ‘‘inexistência de semelhanças que os aproxime’’. ‘‘O grupo do Palácio (do Planalto) não aceitava (a comparação), mas Jader deve ter ficado lisonjeado com a mesma’’, declarou ACM. ‘‘Aqui não se tratou de dossiês Cayman (nos quais há supostas contas bancárias em paraíso fiscal), Eduardo Jorge (ex-secretário-geral da Presidência) ou mesmo Ricardo Sérgio (ex-diretor internacional do Banco do Brasil acusado de irregularidades)’’, disse. E acrescentou: muitas pessoas ‘‘querem intrigá-lo’’ com Fernando Henrique.
Durante seu discurso, ACM encaminhou 14 requerimentos com pedidos de informações a vários órgãos, entre eles os Ministérios da Fazenda e da Previdência, a respeito de denúncias, a maioria delas já citada em outras oportunidades pelo pefelista. Segundo ele, há um relatório de fiscalização do Banco Central (BC) sobre o uso indevido de recursos do Banco do Estado do Pará (Banpará) cujo beneficiário seria Jader Barbalho. Ele cita uma reportagem publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo sobre o relatório do BC, lembrando ainda que Jader é alvo de ações na Justiça, entre elas a que trata de fraudes nos processos de expropriação de terras e compra de áreas rurais.
ACM também voltou a repetir as acusações sobre irregularidades na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e fez referência a supostos casos de corrupção na Companhia Docas de São Paulo (Codesp) e na Companhia Docas da Bahia (Codeba) para atingir o ex-presidente da Câmara Michel Temer (PMDB-SP) e o líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-SP).
O objetivo de ACM é reunir assinaturas de senadores para a abertura de uma CPI dos Portos para apurar fraudes nos dois portos. Segundo ele, Temer é responsável pela indicação política na Codesp, que até dezembro era comandada pelo deputado Wagner Rossi (PMDB-SP). A Codeba é administrada pelo pai de Geddel, o ex-deputado Afrísio Vieira Lima. O pedido de criação da comissão deverá ser encaminhado no início de março, após o feriado de Carnaval.

mockup