ACM tenta ser bombeiro com aliados ressentidos
ACM tenta ser
bombeiro com
aliados ressentidos
O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) - que já entrou em campo para atacar o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva - está tratando de aparar as arestas com os aliados ressentidos, em especial o presidente do PTB, José Eduardo Andrade Vieira (PR), que, apesar de ex-banqueiro, se diz chocado com os juros altos e faz duras críticas ao governo.
A ala governista do PMDB também foi chamada a defender a candidatura do presidente Fernando Henrique. Para impedir que o senador José Sarney (PMDB-AP) se entusiasme pela candidatura própria, eles já preparam uma manobra visando depor da presidência do partido o deputado Paes de Andrade. Este é principal estimulador da candidatura do senador peemedebista à Presidência da República.
Os governistas temem que a tese da candidatura própria do PMDB ganhe força em consequência do desgaste do presidente Fernando Henrique e da queda de sua popularidade. Em um encontro que tiveram anteontem com o presidente, os líderes da ala governista do PMDB juraram fidelidade, mas mostraram-lhe que a vitória na convenção do partido não está assegurada.
Nos próximos dias, o presidente do PMDB, Paes de Andrade (CE), deverá receber do Instituto Vox Populi uma pesquisa, encomendada para medir a popularidade do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) junto ao eleitorado. Paes quer convencer Sarney a entrar na disputa pela Presidência e, por isso, só deverá divulgar a pesquisa se ela for favorável à tese da candidatura própria do partido. Essa é mais uma adversidade que o presidente Fernando Henrique Cardoso terá que administrar para garantir na sua coligação os mesmos partidos que, até agora, deram sustentação política ao seu governo.
Ele enfrenta também: a ameaça de dissidência do PTB, que já negocia apoio ao candidato do PPS, Ciro Gomes; a instabilidade econômica e a incerteza política diante da dificuldade de aprovação da reforma da Previdência; a perspectiva de contestação da constitucionalidade da reforma administrativa, promulgada anteontem; o desgaste político com suas declarações infelizes; e a perda de popularidade junto ao eleitorado e os boatos sobre novas pesquisas desfavoráveis. Esse cenário conturbado preocupa os aliados governistas e anima os adversários.
Depois do encontro de anteontem dos líderes peemedebistas com o presidente Fernando Henrique, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), escorregou na linguagem ao ser indagado sobre as notícias de que o PMDB estaria conversando com o PTB sobre o lançamento de uma outra candidatura presidencial. Temer (foto) respondeu que, por enquanto, seu partido estava negociando apoio só à candidatura do presidente. Depois, precisou convocar uma entrevista coletiva para dizer que por enquanto era uma expressão afirmativa e imperativa.
A indefinição do PMDB e a ameaça de rompimento do PTB têm o mesmo pano de fundo: a vulnerabilidade atual do presidente, que o deixa mais sensível às pressões. Um líder tucano, interlocutor de Fernando Henrique, acha que os dois partidos querem vender caro seu apoio. O líder tucano acredita, porém, que ambos os partidos acabarão permanecendo na coligação, porque não têm opção melhor.
Diante desse quadro nebuloso, fica mais difícil de ser aprovada em junho a reforma da Previdência. Mesmo que o presidente consiga manter seus aliados na coligação, o mais provável é que o segundo turno de votação da emenda da Previdência na Câmara seja concluído só no início de julho, depois da definição das convenções partidárias. (AE)





