ACM tenta salvar o poder na Bahia
O maior desafio do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), após o anúncio de que renunciará ao mandato, passou a ser a manutenção da unidade de sua base política. Responsável pela maior força regional do País, ACM estava prestes a ver o seu grupo se dissolver com a insistência de deixar para o último minuto a decisão de renunciar ao mandato, e evitar assim um processo de cassação. O que levou Antonio Carlos a antecipar o seu gesto foi a avaliação de que sua delicada situação política estava chegando num ponto irreversível. Com base em pesquisas, foi traçado para ACM um cenário delicado na Bahia. Pela avaliação, o controle carlista no Estado não resistiria mais duas semanas de tiroteio da mídia nacional e das manifestações e protestos locais. Segundo a análise de cenário, Antonio Carlos corria o risco de perder a maior parte do seu capital político, e com isso ver a desintegração do grupo carlista, algo que até então só era cogitado com a morte física do senador baiano. O que estava em jogo para ACM não era apenas a suspensão dos seus direitos políticos, mas sim o controle absoluto da política baiana. Além do governador, César Borges (PFL-BA), ACM tem ascendência direta nos outros dois senadores baianos, os pefelistas Paulo Souto e Waldeck Ornélas. O suplente que ocupará a sua vaga é o seu próprio filho, ACM Júnior. Dos 39 deputados federais da Bahia, 22 são carlistas, sendo 18 do PFL, um do PL, um do PTB e dois do PSDB. Além disso, das 417 prefeituras do Estado, mais de 80% são controladas por aliados de Antonio Carlos, inclusive a de Salvador, comandada por Antônio Imbassahy (PFL).
Assessores de marketing ligados ao grupo carlista constataram que ACM perdia rapidamente apoio nos eleitores com menos de 30 anos e nas cidades baianas com mais de 100 mil habitantes e na Região Metropolitana de Salvador. A crise se acentuou dez dias atrás, quando a polícia baiana reprimiu com violência manifestações pela sua cassação. O movimento contra ACM ganhou uma dimensão inédita. Para piorar, a mesma TV Globo que durante muito tempo alimentou o carlismo se encarregou de mostrar as imagens para Salvador e todo o interior baiano, pelas próprias emissoras do grupo de ACM.
Para agregar o seu grupo político, Antonio Carlos vai abrir mão do governo da Bahia para o senador Paulo Souto e tentar voltar ao Senado. A outra vaga ficará para o governador César Borges. Já o senador Waldeck Ornélas deverá sair para vice-governador e ocupar uma Secretaria de Estado. O ex-ministro das Minas e Energia Rodolpho Tourinho, deverá ocupar a vaga de senador, já que é suplente de Paulo Souto. ACM também resolveu investir a maior parte do seu tempo até as eleições do próximo ano para reorganizar a geopolítica carlista na Bahia. Com a unidade, o nosso grupo continua imbatível, avalia o secretário-geral do PFL, deputado José Carlos Aleluia (BA). Agora vou colocar o pé na estrada, avisou ACM a um amigo.





