ACM tenta envolver FHC no caso do painel
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de maio de 2001
Raquel Ulhôa Agência Folha De Brasília 
Na véspera da renúncia, marcada para às 15h15 de hoje, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) tentou várias vezes, ao longo do dia, envolver o presidente Fernando Henrique Cardoso no escândalo da violação do painel eletrônico do Senado. Por mais de uma vez, o senador baiano insinuou que o presidente tinha conhecimento da lista.
A primeira vez foi logo ao chegar ao Senado, à tarde. É possível que o presidente tenha visto a lista (com o resultado da votação que resultou na cassação de Luiz Estevão), afirmou. Pode ser que o presidente tenha falado comigo ou com o ex-líder sobre alguns nomes, completou.
Em seguida, a cúpula do PFL apareceu em peso no gabinete de ACM. Os pefelistas manifestaram preocupação com a contundência dos ataques contra FHC e contra o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). O partido foi dizer que ele é o condutor do seu discurso, mas que ele deve sair (do Senado) da melhor maneira possível, disse o presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC).
Ao contrário do que os pefelistas pediram, ACM fará referências claras a FHC, com quem está rompido há cinco meses, e a Jader, adversário público no Senado. Irônico, disse que o presidente não deve ser preocupar com seu discurso, já que não se preocupa com nada. ACM vai responsabilizar FHC pela crise energética e, se for preciso, disse que mostrará os relatórios entregues ao presidente em 1996 e 2000 por ministros e técnicos da área, alertando para o risco do apagão.
O senador trouxe da Bahia as 35 páginas de seu discurso prontas, mas fez algumas alterações de última hora, depois de receber os colegas do PFL. Ninguém mais vai me desrespeitar daqui para a frente, afirmou, veemente. Se por um lado perco o mandato, por outro eu adquiro minha liberdade para dizer o que quero. E não vou mais ser contido.
No discurso, o senador vai repetir que foi prejulgado e criticar o processo conduzido no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar por Ramez Tebet (PMDB-MS), a quem acusou na segunda-feira de ter votado contra a cassação de Luiz Estevão. ACM vai dizer que voltará ao Senado e que, a partir de agora, se dedicará à Bahia.
ACM não poupou críticas nem a Jorge Bornhausen, presidente do PFL. O baiano disse que seu filho e suplente, Antonio Carlos Magalhães Júnior, deverá se aconselhar com Waldeck Ornélas e Paulo Souto e não com Bornhausen, porque Santa Catarina está muito longe do Nordeste.
Ironias também foram reservadas a Tebet, cotado para o Ministério da Integração Nacional. Ele não cuida nem do Mato Grosso do Sul. Mas FHC foi o alvo preferido. Ele não é vaidoso. Se fosse, se preocuparia com sua popularidade...Quem gosta de apagão pode até ficar com o governo, alfinetou.
FHC não quis comentar as insinuações de ACM. O Planalto inclusive cancelou a entrevista do porta-voz George LamaziSre, prevista para o final da tarde de ontem.


