ACM sugere CPI para investigar políticos
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sexta-feira, 03 de novembro de 2000
Rosa Costa De Brasília Agência Estado 
O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse ontem que está pensando em propor a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias sobre o patrimônio de políticos que tiveram a origem de seus bens colocada sob suspeição. O senador coloca como alvos da comissão ele próprio e o líder do PMDB, Jader Barbalho (PA), que se acusam mutuamente de terem enriquecido em cargos públicos.
ACM disse que passou a analisar a idéia ao concordar inteiramente com os termos do editorial de quinta-feira do jornal O Estado de S.Paulo. O editorial afirma que é preciso abrir a caixa-preta que oculta o patrimônio dos políticos.
Para ACM, a CPI iria trabalhar para mudar a imagem ruim que boa parte da população brasileira tem dos políticos, ao mostrar que apenas uma parcela mínima deles enriquece na atividade pública. Ficaria claro que os justos estão pagando pelos pecadores, afirmou.
Segundo o senador baiano, a investigação parlamentar iria suprir a omissão do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, de não levar adiante as apurações das denúncias que ele e Barbalho trocaram em abril deste ano. Se o conselho de ética funcionasse, não precisaríamos de uma CPI, alegou.
ACM disse que o funcionamento da comissão será útil para ele, para Barbalho e para qualquer outra pessoa que tiver seu patrimônio questionado. O senador reclamou que tampouco o Ministério Público (MP) agiu para mostrar quem é quem nesse caso.
Os dossiês que Antonio Carlos Magalhães e o líder do PMDB apresentaram, na troca de acusações, foram entregues ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, pelos integrantes do conselho de ética. Mas até agora, de acordo com ACM, nada foi feito para investigar as denúcias.
O senador Jader Barbalho informou que vai assinar o requerimento para criação dessa CPI, desde que sejam investigados não apenas os parlamentares, mas também as laranjeiras e os laranjais dos políticos. Ele não deu maiores explicações sobre o que estaria querendo dizer com essa afirmação.


