ACM se respalda em pesquisa favorável
Os ataques do senador Antônio Carlos Magalhães em assuntos de interesse do Planalto também estariam sendo impulsionados pelos bons índices de popularidade que vem conseguindo nas últimas semanas. Numa pesquisa concluída esta semana pela CNT-Vox Populi e ainda inédita, o senador baiano aparece com 11% dos votos para uma candidatura presidencial, só perdendo para Lula, que teria 26% e Itamar, com 15%. Já o candidato tucano, o ministro da Saúde José Serra, ficaria com apenas 7% dos votos. ‘‘A essa altura do campeonato ACM não tem mais nada a perder, e por isso se tornou o mais perigoso dos aliados’’, comentou um senador tucano, preferindo o anonimato.
O ministro Pimenta da Veiga sabe que não será fácil conseguir se firmar entre os aliados. Na quinta-feira à noite, enquanto os telejornais noticiavam a briga entre Pimenta e ACM, os peemedebistas davam boas gargalhadas. ‘‘O ministro Pimenta da Veiga está demitido politicamente do seu cargo’’, comentava um dos principais caciques do PMDB. A comemoração dos peemedebistas tinha um sabor especial. Até porque há um mês ganhou força nos bastidores políticos de Brasília a notícia de que Pimenta da Veiga teria tentado articular a demissão dos ministros do PMDB, Eliseu Padilha (Transportes) e Renan Calheiros (Justiça). Aliás, informação que até hoje não foi desmentida.
No PPB a avaliação é semelhante. Um influente articulador do partido com o governo considerou um erro as declarações de Pimenta da Veiga na semana passada. Segundo esse articulador pepebista, o presidente Fernando Henrique terá que funcionar como bombeiro para conseguir controlar a reação de seus aliados. ‘‘Essa guerra dentro da base vai sobrar para o presidente, que terá que ser o fiel da balança’’, comentou.
Para ele, um presidente político, como Fernando Henrique Cardoso, jamais deveria colocar uma segunda pessoa para fazer o que deveria ser sua principal função. Ou seja, articular o governo. Mas dentro do PSDB essas observações estão sendo ignoradas. ‘‘É muito melhor ter um ministro tucano forte e prestigiado do que ter um articulador político fraco e sem expressão’’, avaliam os caciques do PSDB, sinalizando que agora estão dispostos a deixar de lado a posição tímida e passiva, que marcou o comportamento do partido durante o primeiro mandato de Fernando Henrique, para uma postura agressiva.
O resultado disso, é que a base aliada poderá ficar fragmentada muito antes da eleição de 2002, o que será fatal para o governo. (Colaborou Silvia Faria).

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