O presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), manifestou-se ontem contrário à instalação do Fórum trabalhista de São Paulo na construção inacabada de onde foram desviados R$ 169 milhões. Segundo ele, o prosseguimento das obras só seria justificável se o local fosse usado para outra finalidade, que não a da instalação de um órgão da Justiça trabalhista.
ACM alegou que as obras superfaturadas incorporaram de tal modo o símbolo da corrupção que poderiam desmoralizar as Juntas Trabalhistas que ali fossem instaladas. ‘‘Aquilo já desmoralizou a Justiça Trabalhista’’, argumentou, ao se opor à comissão especial que decidiu retomar as obras. ‘‘Aquelas obras representam o marco da corrupção.’’
Para o senador, o cidadão que passar perto do prédio que for erguido da construção fraudada verá ‘‘não os julgamentos que possam ser feitos, mas o símbolo da corrupção’’. ‘‘Os símbolos, como todos sabem, são muito importantes’’, ressalvou. ACM disse que a iniciativa da comissão de retomar a construção do Fórum trabalhista só seria aceitável ‘‘se o Lalau devolver o dinheiro que levou’’, defendeu, referindo-se ao ex-presidente do TRT.
ACM defende essa posição desde o início da CPI do Judiciário, em maio. O ex-presidente do TRT, juiz Floriano Vaz da Silva, chegou a pedir aos senadores que apoiassem o prosseguimento das obras. Mas ACM nunca apoiou a idéia. Ele chegou a destacar o superfaturamento dessas obras na justificativa de motivos para criar a CPI. ACM visitou as obras na ocasião, quando concluiu que apenas um ‘‘esqueleto’’ havia sido levantado no local, apesar do montante de dinheiro liberado.
O presidente do Congresso vai reunir hoje cedo a mesa diretora do Senado para discutir a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico dos envolvidos no caso Eduardo Jorge-TRT. O pedido de quebra dos sigilos foi feito pela subcomissão que analisa os desdobramentos da CPI do Judiciário. ‘‘Se não tiver subcomissão, não vamos ter a quem responder’’, disse. ACM afirmou que a subcomissão deve continuar os trabalhos, mas disse que ‘‘talvez agora não seja o momento’’. Ele disse ainda que não vai indicar um substituto de outro partido para a presidência da subcomissão, no lugar de Renan Calheiros, que renunciou. ‘‘Isso é problema do PMDB’’, disse ACM.

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