Arquivo FolhaDando um pitoO presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, investe contra os membros da CPI: quebra de normas jurídicasIrritado com as reuniões secretas fora do Congresso, a falta de observância das normas jurídicas e o vazamento de informações sigilosas, o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), vai participar amanhã da reunião interna da CPI dos Títulos para sugerir uma ‘‘correção de rumos’’ nos métodos de trabalho da comissão.
A interferência de Antônio Carlos, que atinge principalmente o relator da CPI, senador Roberto Requião (PMDB-PR), conta com o apoio do presidente da Comissão, senador Bernardo Cabral (PFL-AM). ‘‘O presidente do Senado tem motivos para estar preocupado’’, admitiu ontem Cabral, criticando de forma indireta, pela primeira vez, a condução das investigações.
Como os demais integrantes da CPI, Cabral não foi avisado de que Roberto Requião receberia, na semana passada, o dono do banco Vetor, Fábio Nahoum, um dos principais envolvidos dos escândalos dos precatórios. ‘‘Só soube dessa história pelos jornais’’, contou Cabral.
A reunião secreta - que ocorreu na casa do deputado Maurício Requião (PMDB-PR), irmão do relator da CPI, e contou ainda com a participação do senador José Serra (PSDB-SP) e de dois jornalistas -, foi considerada no Senado o maior dos ‘‘excessos’’ cometidos por Requião no comando da relatoria. ‘‘É preferível que os depoimentos aconteçam na sala da CPI’’, opinou Cabral. ‘‘Quem quiser fazer diferente que faça por sua conta, assuma as responsabilidades e avise com antecedência aos colegas’’, completou.
O presidente da CPI avaliou ainda que eventuais investigações decorrentes das revelações feitas por Nahoum aos dois senadores poderão ser anuladas por advogados de partes envolvidas. ‘‘Podem padecer de vício de origem’’, admitiu Cabral, referindo-se ao fato de as informações terem sido obtidas de forma não-oficial.
‘‘Temos de fazer uma correção de rumos para que a CPI não crie na opinião pública esperanças que não serão satisfeitas’’, acrescentou. Segundo ele, todas essas questões serão discutidas amanhã, na presença do presidente do Senado. ‘‘Tenho ponderações a fazer sobre o trabalho da CPI, mas não vou fazer isso de público para não agir como os que estão errando na comissão’’, alfinetou Antônio Carlos Magalhães. Evitando detalhar suas críticas, Antônio Carlos afirmou que ‘‘há muito sensacionalismo dentro e fora da CPI’’.
Outro integrante da CPI que apoiou a atitude de Antônio Carlos foi o senador Esperidião Amin (PFL-SC). ‘‘O presidente está certo’’, disse. ‘‘A CPI está dispersa, precisa de rumo e o rumo é saber aonde foi parar o dinheiro’’. Entre as medidas que a CPI pode tomar na quarta para disciplinar seu trabalho está a realização de ‘‘briefing’’ diário para a imprensa. ‘‘Dar uma versão diferente para cada órgão de imprensa é desinformar o público’’, defendeu Cabral.

mockup