ACM sai atacando os Três Poderes
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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2001
Agência Folha De Brasília 
Em seu discurso de despedida da presidência do Congresso, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) reservou ontem críticas para os Três Poderes, mas foi mais implacável com o seu sucessor Jader Barbalho (PDB-PA).
Referindo-se de forma indireta a Jader, ACM disse: O Brasil e o Senado não merecem trilhar caminhos de penumbra, conduzidos por aqueles que não são acreditados pela sociedade. ACM discursou das 18h31 às 18h48, depois de proclamar a vitória de Jader. Leu um discurso redigido anteriormente e acrescentou um pouco mais de críticas ao texto inicial.
Com 13 páginas, o discurso de ACM teve um trecho final em que os parágrafos começavam sempre com o bordão o Brasil não merece. O primeiro a ser criticado foi o Poder Executivo. O Brasil não merece que os seus governantes não tenham conhecimento das graves irregularidades que, infelizmente, ocorrem beneficiando apaniguados alheios à moralidade do governo, disse ACM.
Em seguida, ACM atacou um dos Poderes que mais criticou ao longo de seus quatro anos na presidência do Senado, o Judiciário: O Brasil não merece um Judiciário sujeito à corrupção, vulnerável às vaidades pessoais e à busca de vantagens e galardões que conspurcam o seu exercício.
Sobre o Legislativo, ACM fez uma referência velada ao caso recente em que o PFL da Bahia acusou o PMDB de oferecer vantagens pela filiação de quatro deputados federais: O Brasil não merece um Legislativo aberto a corrupções, a cartas de intenção de compra e venda no mercado das vaidades, balcão de negociatas eivado de oportunismos e exposto à política pessoal e à defesa de interesses individuais, nos dedos de vendilhões que não honram o mandato recebido do povo.
Chamou a atenção a supressão de um elogio que o discurso escrito fazia ao presidente FHC. Na página 7, o senador referia-se à melhora da economia. Estava escrito: Exalto, portanto, o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, mas, nem por isso a minha fala o exime das falhas que ocorreram e que, creio, poderão ser sanadas. Ao ler esse trecho, ACM retirou o verbo inicial (exalto) e disse o seguinte: O governo do presidente Fernando Henrique Cardoso tem do que se gabar, mas, nem por isso (...) etc. Além disso, incluiu uma frase sobre as falhas: Porque são, sobretudo, falhas de ministérios que não atentam para a moralidade pública.


