Arquivo FolhaAntônio Carlos Magalhães: ‘‘Eles cederam em tudo’’O presidente Bill Clinton visitará o Congresso Nacional amanhã, mas o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), teve de intervir para vencer as resistências dos responsáveis pela segurança do presidente americano. Diante das exigências da Casa Branca, que queria até limitar a dez o número de senadores na recepção a Clinton, o presidente do Senado telefonou ao embaixador americano, Melvin Levitsky, e ameaçou. ‘‘Não permito isso; vamos cancelar a visita, seria mais útil ao senhor e a mim’’, afirmou.
A confirmação da visita não acaba com o mal-estar despertado no Congresso pelas críticas do governo americano à corrupção no Brasil e à lentidão da justiça. Se abordar outro assunto polêmico, a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), que deve extinguir as barreiras comerciais no continente, Clinton deve ouvir uma resposta dura, adianta Antônio Carlos Magalhães. ‘‘Não podemos iniciar a Alca agora e sua implantação só começa em 2005’’, afirmou.
ACM criticou os organizadores da visita de Clinton por terem ‘‘exacerbado, com suas exigências, um sentimento antiamericano’’. O presidente do Senado se disse disposto, porém, a acabar com os atritos. ‘‘Vamos ver, dos erros, o que dá para salvar’’, comentou. ‘‘Eu preferia que não tivessem existido problemas com a organização da visita, mas eles foram muito exigentes’’.
Foram necessárias pelo menos cinco conversas telefônicas durante o fim de semana entre Antonio Carlos Magalhães e o embaixador Melvyn Levitsky, para que fosse confirmada a visita de Clinton ao Congresso. Levitsky tentou argumentar, afirmando que informara tudo antes ao chanceler Luiz Felipe Lampreia. ‘‘Ele (Lampreia) não me disse nada; mas no Congresso não é ele quem decide’’, respondeu o presidente do Senado.
Antonio Carlos Magalhães disse que não aceitaria limitação do número de parlamentares na recepção a Clinton. O embaixador pediu tempo para consultar a Casa Branca. Ficou, enfim, acertado que todos os parlamentares que estiverem no Congresso poderão recepcionar Clinton. Além disso, apenas o presidente dos Estados Unidos entrará no prédio pela rampa principal - toda a comitiva, inclusive ministros, deverá entrar pela chapelaria. Não será permitido o estacionamento de carros à entrada do Congresso.
‘‘Eles cederam em tudo’’, disse ontem o senador. Só os fotógrafos oficiais da Casa Branca e do Senado poderão registrar a reunião de Clinton com parlamentares, no Salão Negro do Congresso. Mas a imprensa credenciada poderá fotografar o presidente americano no salão principal à entrada do Congresso, apesar da contrariedade da segurança de Clinton.
Antônio Carlos Magalhães não decidiu ainda que assuntos farão parte de sua saudação ao presidente americano. Ele não pretende citar as críticas americanas à corrupção no Brasil. ‘‘Mas se ele tocar no assunto, pode se preparar para levar troco’’, preveniu.

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