Arquivo FolhaACM: ‘Escuta telefônica não é prova, diz o Supremo Tribunal Federal’As denúncias sobre compra de voto pelo governo feitas pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR) provocaram um bate-boca entre ele e o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). ACM amenizou a denúncia de Requião: ‘‘Gostaria de saber se, quando governador do Paraná, Requião pagava os opositores com a mesma celeridade com que quer ver o governo federal liberar as verbas para a oposição.’
Requião respondeu: ‘‘Pagava e divulgava para os que quisessem ver porque o prefeito podia ser de oposição, mas o eleitor votava em mim.’ Foi isto, segundo Requião, que o tornou o segundo senador mais votado do País (o primeiro é o ministro da Justiça, Iris Rezende). ‘‘Se o senador Antônio Carlos vier a ser de novo governador da Bahia e se quiser um dia ser tão votado quanto eu, o aconselho a tratar bem a oposição daqui para a frente.’
As declarações dos dois senadores foram feitas em tempos distintos, cerca de cinco minutos depois de Requião saber dos comentários de ACM. Ao deixar a sala da presidência do Senado, ACM questionou a gravação da fita feita pelo deputado Maurício Requião (PMDB-PR), exibida pelo senador anteontem, com as denúncias de negociação política para liberação de emendas. ‘‘Escuta telefônica não é prova, segundo o Supremo Tribunal Federal (STF)’, disse ACM. ‘‘Pelo que sei, o governo libera as verbas da oposição antes porque os ministros temem as críticas.’
Requião disse que não iria discutir ética com ACM. ‘‘A ética de Requião não é a de ACM’’, disse ele. Ele continuou: ‘‘Não sei por que o Antônio Carlos está respondendo a isto; a resposta caberia ao presidente Fernando Henrique e não a ele.’ Segundo Requião, ACM quer mostrar ao governo um serviço que nem foi pedido.
Fora da polêmica, o presidente do Senado disse que só quando o Brasil tiver um orçamento obrigatório, e não autorizativo, como hoje, acabarão os problemas envolvendo parlamentares que lutam para liberar verbas. Hoje, é assim: os senadores e deputados brigam para ratear, para cada um, R$ 1,5 milhão em verbas do Orçamento, destinadas geralmente a pequenas obras. Depois da aprovação do Orçamento, eles têm de pressionar o Executivo para liberar o dinheiro. Esta é a hora preferida para a barganha. A verba sai em troca do voto.

mockup