ACM quer providências contra Jader
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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2001
Gilse Guedes Agência Estado De Brasília 
O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) prometeu ontem cobrar do governo, em discurso que fará hoje no plenário do Senado, providências em relação à identificação, pelo Banco Central (BC), de aplicações financeiras com recursos supostamente desviados pelo presidente eleito do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA). No discurso, ACM deve ainda fazer acusações a respeito de irregularidades na área portuária envolvendo o deputado Michel Temer (PMDB-SP), ex-presidente da Câmara, e o líder do PMDB na Casa, Geddel Vieira Lima (BA).
O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, um dos principais alvos de ACM, também não será poupado. Ontem, o pefelista reunia documentos para mostrar, durante o discurso, dados sobre desvios de recursos do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), órgão do Ministério dos Transportes.
O senador baiano que articula a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar ilegalidades nos portos brasileiros disse ontem que começará a recolher assinaturas de senadores no início de março para a criação da CPI. O objetivo é que se investigue as administrações das Companhias Docas do Estado de São Paulo (Codesp), onde há indicações de Temer, e da Bahia (Codeba), administrada pelo pai de Geddel, o ex-deputado Afrísio Vieira Lima.
ACM negou, no entanto, que abordará hoje as denúncias sobre o Dossiê Cayman, documentos a respeito de supostas contas bancárias de autoridades brasileiras em bancos no exterior. Ele procurou fazer suspense sobre o teor do discurso, o primeiro que fará depois da eleição de Barbalho para a presidência do Senado. Ao ser perguntado sobre a possibilidade de insistir nos ataques ao presidente Fernando Henrique Cardoso, o pefelista disse apenas que o citará.
O ex-presidente do Senado também não quis comentar a possibilidade de os dois ministros indicados por ele, o de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, e o da Previdência Social, Waldeck Ornélas, saírem do governo em razão dos ataques contra Fernando Henrique. Não trato desse assunto porque é um tema exclusivo do presidente, justificou. Além dos ministros, ACM tem mais cinco cargos no governo, entre eles, os da Superintendência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Brasília e na Bahia.


