ACM propõe imposto contra pobreza
Agência Estado
De Brasília
O presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), anunciou ontem que irá propor a criação de um imposto para combater a pobreza nas primeiras semanas de agosto. De acordo com ACM, a proposta poderá ser fundida com o programa de renda mínima, projeto apresentado pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP) em 1991 e que consiste em um subsídio para famílias carentes que mantêm os filhos na escola. ACM e Suplicy reuniram-se ontem para discutir o assunto.
Propus um imposto, que diz respeito à captação de recursos; o senador Suplicy propõe uma forma de gastar estes recursos, disse ACM. Acho que a idéia do Suplicy pode ser incorporada, mas eu penso em algo mais amplo para isto. A arrecadação do tributo não apenas garantiria uma renda mínima, mas ainda serviria para dar ao cidadão que passa fome, tudo aquilo que ele precisa. E acrescentou: Eu vou erradicar a pobreza.
A idéia de ACM teve acolhida dentro do PFL, que o tem como o como o mais forte presidenciável do partido em 2002. Eu achei lindo, afirmou o deputado Pauderney Avelino (PFL-AM). É muito interessante e não há contradição com o ideário pefelista, porque este imposto seria criado no âmbito da reforma tributária com a redução de outros tributos, disse o senador Edson Lobão (PFL-MA).
O presidente da Comissão da Reforma Tributária na Câmara, Germano Rigotto (PMDB-RS), reagiu com ironia. Acho a proposta ótima, desde que seja discutida junto com as várias outras iniciativas no mesmo sentido que já estão na Comissão, afirmou citando três delas: o Imposto sobre Grandes Fortunas, o Imposto de Renda Negativo, de Eduardo Suplicy, e o Imposto da Solidariedade, do deputado Antônio Palocci (PT-SP), que estabelece um recolhimento compulsório de 10% sobre o patrimônio que exceder R$ 50 milhões, no caso de pessoa física, e R$ 100 milhões, no caso da pessoa jurídica.
Além destas propostas, tramita também um projeto instituindo o fundo da cidadania, apresentado por Suplicy para recolher recursos para o programa de renda mínima. A proposta petista determina que 50% dos recursos de privatizações, royalties de recursos naturais e aluguéis de imóveis da União formem o fundo.
Embora tenha elogiado a iniciativa de ACM, Suplicy mostrou ceticismo em relação às intenções do senador. ACM ficou muito preocupado em aparecer como o defensor de subsídios para a segunda maior empresa do mundo em faturamento, que é a Ford. Por isto apresentou este projeto, para sinalizar que não está pensando apenas nos acionistas da montadora, disse o petista, minutos depois de conversar com o presidente do Senado.
Ao saber das palavras de Suplicy, ACM reagiu com irritação. Esta suposição é indigna. A proposta não tem nada a ver com o problema da Ford.





