Ricardo Galhardo
Agência Folha
De São Paulo
O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) defendeu a permanência do ministro do Esporte e Turismo Rafael Greca no governo até o fim das comemorações dos 500 anos do Brasil, em abril. ‘‘Depois dos festejos vamos ver o rendimento dele’’, disse ACM, um dos principais líderes do PFL, partido do ministro.
Greca e assessores são alvo de acusações de irregularidades em autorizações para funcionamento de casas de bingo. Ontem, a ‘‘Folha de S.Paulo’’ revelou que, quando era prefeito de Curitiba, em 1996, o ministro desapropriou um terreno que já havia sido desapropriado. ‘‘Não vamos examinar o Greca prefeito de Curitiba. Vamos examinar o Greca ministro de Fernando Henrique. Quando ele foi nomeado, já se deveria saber como ele foi em Curitiba’’, defendeu ACM.
Ontem, em Brasília, a Procuradoria da República requisitou à Polícia Federal uma megaoperação para apreender máquinas caça-níqueis em todo o País e a abertura de inquéritos contra donos de casas de bingo funcionando sem autorização. A assessoria da PF afirmou que, de acordo com a Divisão de Polícia Fazendária, as máquinas entraram oficialmente no País e não podem ser apreendidas se não forem constatadas irregularidades na importação.
Autor da requisição, o procurador da República Luiz Francisco Souza afirmou que em alguns casos as máquinas foram importadas com valores inferiores ao seu preço real para sonegação de Imposto de Importação. Segundo ele, houve também casos em que a importação foi fraudulenta.
Segundo Souza, o funcionamento das máquinas caça-níqueis e de bingos não autorizadas fere a Lei Pelé, de 1998, que prevê pena de detenção de seis meses a dois anos e multa para quem ‘‘mantiver nas salas de bingo máquinas de jogos de azar ou diversões eletrônicas’’ ou ‘‘realizar jogo de bingo sem autorização’’.
O procurador disse que compete à PF apreender as máquinas instaladas em casas de bingos porque cabe ao governo federal autorizar o funcionamento delas por meio do Indesp, órgão vinculado ao ministro Rafael Greca. Caso as máquinas estejam instaladas em bares, restaurantes, boates ou panificadoras, essa competência deverá ser exercida pelas polícias estaduais, disse o procurador.

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