ACM prepara discurso de renúncia e é homenageado
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domingo, 27 de maio de 2001
Cida Fontes Agência EstadoDe Salvador 
O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) ficou ontem em seu apartamento, no bairro da Graça, dando os retoques finais ao discurso de renúncia, marcada para quarta-feira. Antes do almoço com a família, ACM desceu à portaria do prédio para receber flores e doces de um grupo de mulheres que passou a manhã na calçada, prestando solidariedade.
Fui injustiçado, mas a Bahia está do meu lado. Meu mandato é aqui. O mandato que o povo me deu e que ninguém me tira, disse o senador, em meio a cumprimentos de populares. Nenhum daqueles senadores tem isso em sua terra. Eles não podem nem sair às ruas, comentou, referindo-se aos colegas que votaram no Conselho de Ética em favor de sua cassação, por envolvimento na violação do painel eletrônico do Senado.
No discurso de despedida, previsto para durar 35 minutos, ACM vai culpar o presidente pelo racionamento de energia. Ele também responderá às acusações feitas por FHC contra o PFL. Não deixará também de associar Fernando Henrique Cardoso ao presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). O presidente e Jader são a mesma coisa.
O discurso conterá críticas duras ao governo, mas ACM promete não entrar em conversas sigilosas ocorridas entre ele e Fernando Henrique. Jader, a quem acusou de ter se beneficiado de recursos públicos oriundos da Sudam e do Banpará, também será citado.
ACM deixa visível sua decepção com o PT, que o usou quando precisou de sua influência e poder sobretudo na campanha pelo aumento do salário mínimo e não honrou os acordos firmados para a eleição de seu sucessor no Senado. Ele também acusou a imprensa de ter propiciado um massacre contra ele.
Quanto à lista de votação da sessão que cassou Luiz Estevão, o senador afirma que não a possui. Mas dá sinais de que a polêmica em torno do assunto ainda não está encerrada e, inclusive, aposta que a relação dos votos ainda poderá se tornar pública. A lista vai aparecer, avisou. Ele disse ainda acreditar que a CPI da Corrupção será instalada.
O senador reafirmou que ainda não definiu seu futuro. Mas uma coisa é certa: vai disputar eleições em 2002, seja para retornar ao Senado ou para governo da Bahia. Vou voltar contra os mesmos adversários, ironizou.


