Salvador - O deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), de 27 anos, sofreu um atentado no início da tarde de ontem, na saída do escritório político, na Avenida Paulo VI, no bairro da Pituba, em Salvador. Uma mulher identificada como Rita de Cássia Sampaio de Souza, de 45 anos, aproximou-se de ACM Neto e desferiu uma facada nas costas dele. ACM Neto estava acompanhado pelo motorista e por um assessor. Segundo boletim médico divulgado no fim da tarde pelo Hospital da Bahia, onde o deputado do PFL da Bahia foi internado, o corte foi superficial, na região da omoplata direita, e não atingiu as vias aéreas.
Presa momentos depois do ataque por policiais militares que estavam na região, Rita foi conduzida à 16 Delegacia (Pituba), onde prestou depoimento. Ela contou ao delegado titular, Wilson Gomes, que procurou ACM Neto para cobrar uma promessa que ele teria feito a ela, de liberar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na Caixa Econômica Federal (CEF). De acordo com Gomes, no depoimento, Rita afirmou que o benefício está retido há três anos - quando ela teria sido demitida da Secretaria de Saúde da prefeitura de Ipiaú, a 353 quilômetros de Salvador, onde afirmou morar. A acusada disse que, como não foi atendida pelo deputado, ficou nervosa e resolveu praticar a agressão. ''Estamos checando a veracidade das informações dadas pela agressora.''
Segundo o delegado, Rita também citou o aumento de 90,7% nos salários dos parlamentares como motivo secundário para o ataque. Gomes afirmou que a agressora tinha uma faca e um canivete e parecia estar emocionalmente alterada.
Rita foi encaminhada ao Presídio Feminino de Salvador. Ela foi indiciada por tentativa de homicídio qualificada. ACM Neto permaneceria em observação, sem previsão de alta.
Em Brasília, um homem se acorrentou ontem a uma pilastra do Salão Azul do Senado, quase em frente ao gabinete do presidente Renan Calheiros (PMDB-AL), em protesto contra o aumento de 91% do salário de deputados e senadores. Willian Carvalho, 61, disse que é servidor público aposentado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), ligado ao Ministério do Planejamento, e cientista político formado pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). ''Precisamos chamar os senhores deputados à razão antes que comecem a jogar bomba no Congresso. É o Parlamento mais caro do mundo. Eles estão se distanciando cada vez mais da nação'', disse Willian, que ficou atado à pilastra por cerca de 20 minutos, até que a polícia do Senado rompeu a corrente com um alicate. Ele foi levado para a delegacia do Senado, que abriu um inquérito para apurar o caso.

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