Brasília - A briga entre governo e oposição esquentou de tal forma que parlamentares não se constrangem mais em ameaçar e partir para a luta corporal. O deputado Antônio Carlos Neto (PFL-BA) foi à tribuna da Câmara ontem para anunciar que, a exemplo do líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), está disposto a dar ''uma surra'' no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). ''Senador Arthur Virgílio, V. Exa. não dará uma surra sozinho não. Terá um aliado, porque não tenho medo. Continuarei mostrando que o PT construiu o maior esquema de corrupção já visto na história do Brasil'', disse ACM Neto. ''O presidente da República, ou qualquer um dos seus, que tiver coragem de se meter na minha frente, tomará uma surra''.
ACM Neto disse que tem a informação de que parlamentares mais atuantes na oposição estão sendo monitorados de manhã, à tarde e à noite por agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Na segunda-feira, Arthur Virgílio foi à tribuna do Senado e também, a despeito de estar sendo investigado pela Abin, afirmou que poderá enfrentar o governo na luta corporal. ''Se alguma coisa acontecer com minha família eu seria capaz de bater na cara do presidente Lula ou de qualquer outra pessoa'', disse o exaltado líder tucano.
O presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), reagiu com ironia à ameaça da surra que a oposição promete dar no governo. ''Vamos ver com quem eles querem iniciar a briga. Se com o deputado Nilson Mourão (PT-AC) ou com o deputado João Grandão (MS)'', disse Berzoini. Mourão tem cerca de um metro e cinquenta, um pouco menor do que o deputado ACM Neto, que tem perto de um metro e sessenta; Grandão tem pelo menos um metro e noventa.
Arthur Virgílio luta jiu-jitsu. ACM Neto disse que nunca fez nenhum tipo de luta marcial e que jamais brigou em sua vida, nem quando menino. ''Sou baixinho e franzino. Mas sou capaz de virar um leão'', disse ele. ''Claro que quando falei em surra, falei em sentido figurado. Não vou sair por aí batendo no presidente Lula''. De qualquer forma, ACM Neto já tem aliados para a pancadaria. O deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), que tem um metro e noventa, disse que ficará ao lado de ACM Neto se houver briga. Lembrado de que o PT tem João Grandão, ele não se intimidou. ''Ele é realmente um armário, mas é gordo e não tem agilidade''.
Berzoini insistiu que diz não se assustar com ameaças de surras. ''Esse pessoal está perdendo as estribeiras. As declarações do senador Arthur Virgílio e do deputado ACM Neto demonstram o destempero deles. Vêem fantasmas por onde andam'', atacou o presidente do PT.
No seu discurso, o deputado ACM Neto afirmou ter informações concretas de que ele e toda sua família estão sendo vigiados pelos agentes do governo. ''Quero dizer que não vou me intimidar, não vou baixar a cabeça, não tenho medo nem do PT, nem do governo do presidente Lula e muito menos da Abin'', disse ACM Neto, que tem 26 anos e é neto do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
''Logo no início deste processo de investigação, ofereci voluntariamente a transferência dos meus sigilos bancário, fiscal e telefônico, para que qualquer deputado ou senador pudesse fazer uma devassa para investigar a minha vida. Mas não posso aceitar esse tipo de atitude'', afirmou o deputado. Ele é sub-relator da área de fundos de pensão da CPI dos Correios e também um dos mais aguerridos opositores do governo.
Também a exemplo de Arthur Virgílio, ACM Neto pediu providências ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. ''Quero que por meio da Polícia Federal sejam instaurados os procedimentos adequados para que se investigue a participação da Abin nesses atos de espionagem'', disse. Ele pediu que a Câmara convoque o general Jorge Armando Félix, que é o chefe da Abin.
O deputado disse que vai continuar sua luta contra o presidente Lula. ''Vou mostrar que o presidente Lula tem responsabilidade direta em tudo isso que está acontecendo; vou continuar mostrando as mazelas desse governo, que cai, de podre, que apodrece aos olhos da sociedade brasileira''.

mockup