O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse ontem em Salvador que não criará obstáculos para o fechamento do acordo entre o seu partido e o governo federal que permitirá a aprovação da Medida Provisória que fixa o salário mínimo em R$ 151. ‘‘Preferia que o PFL insistisse no mínimo de R$ 180, mas não vou criar dificuldades para o partido fechar um acordo’’, disse. Sobre a sessão de quarta-feira do Senado, quando a MP deve ser colocada em votação, declarou: ‘‘Será com base nos meus princípios.’’
ACM vai se encontrar com o presidente Fernando Henrique Cardoso na próxima semana. ‘‘Ele tem me tratado muito bem’’, disse, achando que o governo deveria deixar ‘‘algo escrito’’ a respeito da promessa de conceder aumentos reais ao trabalhador daqui para frente.
Em Brasília, os deputados e senadores do PMDB que não votarem a favor da medida provisória (MP) do salário mínimo de R$ 151 deverão pedir aos apadrinhados, na quarta-feira, que deixem os cargos no governo federal, de acordo com aviso de dirigentes e ministros do partido. O PMDB quer demonstrar maior fidelidade ao presidente do que o PFL. Com isso, o PMDB espera obter uma proporção de votos superior à do PFL na matéria e ser o parceiro preferencial do governo.
O recado do comando do PMDB será reforçado na terça-feira, durante um jantar oferecido aos parlamentares, na casa do deputado Paulo Lima (PMDB-SP). Além do líder do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), estarão presentes os presidentes nacional da legenda, senador Jáder Barbalho (PA), líder da sigla no Senado, e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), os ministros dos Transportes, Eliseu Padilha, e da Integração Regional, Fernando Bezerra, e o secretário de Desenvolvimento Urbano, Ovídeo de Angelis.
‘‘O PMDB apóia a estabilidade econômica e, por isso, defende o mínimo de R$ 151,00 desde o primeiro momento; não é agora, no plenário, que o partido não vai mostrar que está unido’’, disse Geddel, numa reunião com os vice-líderes, onde foi feito um mapeamento prévio da tendência de votos na bancada.

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