O governo montou uma estratégia - logo após a divulgação da notícia de que o ministro da Fazenda Pedro Malan saberia da operação de socorro aos bancos Marka e FonteCidam - deflagrada ontem pelos senadores aliados que integram a CPI - e vai tentar impedir a convocação do ministro para depor na Comissão, como quer Suplicy.
Após a entrevista do ministro à TV Globo, na qual Malan desmentiu as informações de que participara da reunião na qual foi decidido o socorro aos bancos, o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse que convocar Malan agora ‘‘seria não acreditar nas palavras do ministro Malan, fato que seria extremamente negativo’’. Há duas semanas ele defendeu a presença do ministro na CPI. O presidente do PMDB e criador da CPI, senador Jader Barbalho (PA), fez coro ontem com ACM. ‘‘Não há nada que justifique a convocação de Malan nesse momento.’’
Para ACM, a entrevista de Malan foi suficiente para o esclarecimento do episódio. ‘‘O ministro Pedro Malan mostrou a indignação dos homens de bem’’, analisou o senador. ‘‘E ele não pode ser contestado em sua palavra, na medida que é um homem digno e sério, merecendo o respeito de todos os brasileiros.’’ Para o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, o assunto está fechado. ‘‘Para mim, basta a palavra do ministro Malan, já o que está se discutindo é palavra contra palavra’’, disse.
O presidente interino da CPI, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), lembrou que em todos os depoimentos prestados na Polícia Federal por pessoas ouvidas sobre a operação de socorro feita pelo BC o ministro Malan não é citado. ‘‘O depoimento do Chico Lopes (ex-presidente do BC) foi explícito: Malan não foi informado nem antes e nem depois’’, observou Arruda.

mockup