O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), deu um importante sinal para o governo e seus aliados, ao confirmar ontem, por meio de seu gabinete, presença na reunião convocada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso com ministros e líderes políticos do Congresso - interrompendo seu luto uma semana depois da morte do filho, deputado Luís Eduardo Magalhães. A reunião está marcada para as 10h30 de terça-feira, no Palácio do Planalto.
A presença de Antônio Carlos no encontro em que Fernando Henrique fará um apelo para aprovar a reforma da Previdência está sendo vista pelos aliados como um reforço na mobilização que o governo inicia na próxima semana. ‘‘A vinda de Antônio Carlos para Brasília, quebrando seu luto, é um dado absolutamente importante em favor das reformas’’, afirmou o secretário-geral do PSDB, deputado Arthur Virgílio Neto (AM).
Os aliados sabem, no entanto, que o apelo à memória dos articuladores do governo mortos na mesma semana - Luís Eduardo e o ex-ministro Sérgio Motta - não deve ser ser usado para conquistar votos para a reforma da Previdência. ‘‘Não dá para pensar que vamos ganhar essa votação no emocional’’, observou o relator da reforma, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP). No dia do enterro de Luís Eduardo, Fernando Henrique fez um apelo ao Congresso para aprovar a reforma em homenagem aos dois articuladores mortos - o que foi considerado um oportunismo, pela oposição, e um comentário inadequado do presidente, por alguns aliados.
Por isso, os líderes aliados pretendem retomar o clima de mobilização no Congresso e chegar preparados à reunião convocada pelo presidente. Eles optaram por um discurso mais racional e alegam que o próprio Fernando Henrique tem repetido a importância de se aprovar a reforma previdenciária para dar uma resposta ao exterior de que o Brasil não paralisou. ‘‘É muito importante que a gente dê uma manifestação para fora de que o governo continua lutando para executar seus projetos’’, afirmou o líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG).
‘‘Continuar e aprovar a reforma é uma sinalização para o mercado de que o Brasil não perdeu o rumo e o governo mantém seu projeto reformista’’, argumentou Arthur Virgílio. ‘‘Sofremos um baque muito grande, mas não podemos fraquejar, e estamos cientes de que a oposição não vai mudar de postura por causa desse golpe sofrido pelo governo’’, emendou Arnaldo Madeira. Os tucanos têm outra preocupação: se perderem agora o ‘‘fio’’ da articulação que vinha sendo feita desde fevereiro para concluir o primeiro turno da reforma, todo o empenho do governo poderá cair no vazio e seu projeto de reformas adiado definitivamente para um eventual segundo mandato.
O presidente Fernando Henrique já deu sinais de que entrará de cheio na mobilização para retomar a votação da Previdência, mas os aliados sabem que ele não partirá para o varejo da articulação. O presidente não estará no plenário convencendo deputado a votar a favor do governo, lembram eles. Por isso mesmo os governistas acreditam que Fernando Henrique não deverá demorar muito para indicar um novo líder do governo, para ocupar a vaga de Luís Eduardo, assumida interinamente pelo deputado Ronaldo Cézar Coelho (PSDB-RJ).
De fora do Congresso, cresce a expectativa de que o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB), ganhe força no papel de articulador do governo no Congresso. Padilha nem toca no assunto e se limita a dizer que continuará fazendo o habitual - o mapeamento dos votos em favor do governo em todas as votações. ‘‘Eu sempre fiz isso’’, justifica ele. O ministro conversou ontem com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que garantiu colocar os destaques em votação na quarta-feira. ‘‘A estrutura existe e vai haver votação’’, resumiu ele.

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